Autora de “crime do freezer” disse à Polícia que foi abusada pela vítima na infância

Thaís Errobidart da Silva, de 19 anos, presa nesta quarta-feira (04) em Campo Grande pelo assassinato de Wanderley de Souza, 72 anos, no Distrito de Cipolândia, em Aquidauana, alegou à Polícia Civil que nutria ódio pelo idoso. Ele matou a vítima com 7 facadas, ocultou seu corpo no freezer e se preocupou em manter a conta de energia em dia, para manter o corpo congelado.

De acordo com informações da Polícia Civil, Thaís disse em depoimento que quando tinha aproximadamente 11 anos de idade, sofria abusos de Wanderley, que era próximo de sua família, o que a fez nutrir ódio da vítima com o passar dos anos e que por isso ela se aproveitava do idoso. Versão contestada por vizinhos e conhecidos, que afirmaram aos investigadores que a jovem mantinha um relacionamento com a vítima.

No dia do crime, 30 de março, ela alegou à polícia que foi até a casa de Wanderley e que os dois se desentenderam e que segundo ela, a vítima pegou duas facas para mata-la e a jovem acabou se defendendo com um travesseiro, item que não foi encontrado pelos investigadores na casa.

Ainda segundo a Polícia, Thaís disse que conseguiu tomar as facas do idoso e o golpeou sete vezes e em seguida o colocou já morto dentro do freezer, ligou o eletrodoméstico e se preocupou em limpar o sangue na casa, mas mesmo assim ficou vestígios no chão. A autora então foi para a Capital e retornou à residência de Wanderley para sondar se estava tudo como ela havia deixado. A jovem então disse ao delegado que os vizinhos questionaram a ausência do idoso, ela informou que o homem estaria doente, fazendo tratamento em Campo Grande. Ela se preocupou em deixar o freezer ligado para que não exalasse cheiro e despertasse a suspeita da morte de Wanderley na vizinhança.

A autora ainda sacou dinheiro das contas da vítima e tentou fazer empréstimos, ma sem sucesso. Ela contou que ficou sabendo que o crime havia sido descoberto pela imprensa e de imediato contratou um advogado para se entregar.

Possivelmente Thaís não irá responder por latrocínio, já que os pertences da vítima não foram retirados no dia do crime. A autora ao voltar na residência um mês após o ocorrido, retirou os objetos do local e levou para a Capital. A jovem poderá ir a juri popular e vai responder por homicídio, ocultação de cadáver, furto e fraude bancária, por ter utilizado os cartões do idoso.

De acordo com informações não-oficiais levantadas pelo JNE, há possibilidade do delegado titular da Delegacia de Polícia Civil de Aquidauana, Eder Oliveira Moraes, responsável pelas investigações, pedir reprodução simulada dos fatos, ou seja, a reconstituição do “crime do freezer” no distrito de Cipolândia.