Álcool ou gasolina? Considerado abusivo, reajuste no etanol em MS vai ser investigado pelo MPE

O procurador de Justiça Rodrigo Stephanini revelou, nesta quinta-feira (16), que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul vai investigar o aumento do etanol, que acontece na mesma proporção do reajuste aplicado no litro da gasolina no Brasil.

Rodrigo disse ao TopMídiaNews que apresentou a problemática durante reunião entre os procuradores e ficou decidido que o Centro de Apoio dos Promotores de Justiça vai em busca de uma resposta para o reajuste dos dois combustíveis.

“Dizem muito que, no Brasil, o petróleo é nosso, mas o preço da gasolina é reajustado de acordo com o mercado internacional. O problema é que toda vez que sobe a gasolina, tem reajuste no etanol, sem nenhuma justificativa, não tem lógica isso. O Centro de Apoio será coordenado pelo procurador de Justiça doutor Aroldo José de Lima e eu vou auxiliá-lo”, diz o procurador.

De acordo com Stephanini, Mato Grosso do Sul é o terceiro maior estado em produção de etanol e, mesmo assim, os consumidores encaram reajustes altíssimos. “O Brasil deveria favorecer o etanol, o valor teria que ser mais acessível ao consumidor, mas não é o que acontece. Basta ir até um posto de combustível para fazer a conta e ver que não vale a pena abastecer no álcool”.

Para Rodrigo, até o estado de Mato Grosso comercializa etanol com valor mais acessível do que Mato Grosso do Sul. “O preço médio lá é de R$ 2,71, deve ter posto de combustível vendendo até por R$ 2,50, porque esse é o preço médio. Aqui em Mato Grosso do Sul, temos o etanol sendo vendido por R$ 3,39 o litro”.

Ele destaca que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) pretende implementar um projeto que permite a venda de combustível seja feita direta da usina para os postos. “Não sei o que pensa o governador do nosso Estado, mas seria necessário repensar no que está acontecendo porque a utilização de etanol ao invés de gasolina oferece melhorias para o meio ambiente, já que a gasolina é um combustível fóssil”.

De acordo com o procurador, o Centro de Apoio vai ouvir pessoas ligadas a venda de combustível e deve solicitar documentos para analisar o reajuste do etanol. Rodrigo defende ainda a mobilização civil contra os reajustes sucessivos do etanol, para ajudar o Ministério Público na fiscalização dos preços e na cobrança de valores mais justos, conforme a produção local.