por Renata Andrade

Hoje (03) é Dia Mundial das Pessoas com Deficiência. Esta data tem o objetivo de informar a população sobre todos os assuntos relacionados a deficiência, seja física ou mental. Além do mais, busca também conscientizar as pessoas sobre a importância de inserir todos os portadores em diferentes aspectos da vida social, como a política, a econômica e a cultural.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 10% da população mundial – 650 milhões de pessoas – vivem com uma deficiência. São a maior minoria do mundo. As necessidades e os direitos dessas pessoas têm sido uma prioridade na agenda da ONU durante pelo menos três décadas. Mais recentemente, após anos de esforços, a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo foi adotada em 2006 e entrou em vigor em 3 de maio de 2008.

01Conhecido como “Negão da Muleta”, o sorridente Edevaldo tem poliomielite desde o um ano de idadeAdevaldo Pereira (44) tem poliomielite há 43 anos. A doença infecto-contagiosa aguda é causada por um vírus que vive no intestino, denominado Poliovírus. Cerca de 1% dos infectados pelo vírus pode desenvolver a forma paralítica da doença. Em geral, essa paralisia se manifesta nos membros inferiores de forma assimétrica. As principais características são a perda da força muscular e dos reflexos, com manutenção da sensibilidade no membro atingido.

“Minha infância e adolescência sempre foi alegre e feliz, graças a Deus. Minha deficiência nunca me atrapalhou em nada”, garante. Adevaldo é conhecido como “Negão da Muleta” pelos amigos, pois utilizava duas para locomover-se. Mas a dois anos as trocou por uma cadeira de rodas, pois seus ombros já estavam sendo prejudicados. Há 13 anos é assistente administrativo e dirigi um carro adaptado; e afirma ter uma rotina normal de muito trabalho como qualquer outra pessoa. É também casado a 14 anos e tem um filho de 15 anos.

A falta de adaptações e estrutura voltadas às pessoas portadoras de deficiência ainda possui grandes falhas. “Esses dias fui até a Prefeitura e não tinha banheiros adaptados”, lembra. Em relação ao desrespeito, ele afirma que nunca foi mal tratado, mas sente os olhares diferentes das pessoas ao redor. “Talvez esse tipo de reação é por falta de informação. Eu acredito que todos deveriam se informar melhor, pois todos estão sujeitos a sofrer algum acidente e sofrer traumas”, declara.

A estudante Sarah Santos (18) convive com a deficiência desde muito cedo. A jovem tem o braço esquerdo afetado pelo Talidomida, uma substancia usualmente utilizada como medicamento sedativo, anti-inflamatório e hipnótico que bloqueia os vasos sanguíneos na gestação.  Ele surgiu da década de 60 e as duas avós de Sarah tomou durante as gestações de seus pais.

Em casa, a estudante conversa desde novinha com a família sobre como enfrentar o preconceito, a discriminação e a exclusão. “Eu particularmente levei muito tempo para trabalhar essas questões. Na metade da minha adolescência tinha problemas, mas hoje lido melhor. Saio com os meus amigos, me divirto como todo mundo”, afirma.

Tanto Adevaldo como Sarah, apesar de suas deficiências e falta de jeito de algumas pessoas, vivem com alegria e o sorriso está sempre estampado no rosto de cada um. “Não me importo que perguntem o motivo do meu braço ser assim. Até prefiro porque posso explicar a verdade e evitar comentários chatos”, destaca a estudante. “Todos nós devemos lutar e correr atrás dos nossos sonhos. É vida que segue!”, finaliza Edevaldo.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010

Total da população residente com deficiências em Mato Grosso do Sul:

Deficiência Visual – 440.80 pessoas

Deficiência Auditiva – 10.607

Deficiência Motora – 150.191

Deficiência Mental/Intelectual – 32.488

Foto: Warren Nabuco