O uso de tecnologia por parte das crianças é um tema bastante controverso. Muitos são os questionamentos levantados sobre os efeitos da utilização de tablets, smarphones, jogos eletrônicos e computadores. Algo essencial a ser trazido à tona nessa reflexão é o papel que os adultos exercem como modelos do ponto de vista do uso que fazem da tecnologia em seu dia a dia. Além disso, também são eles os mediadores do contato das crianças com os conteúdos a serem acessados e do tempo a ser gasto pelos pequenos nessas atividades.
Além dos aspectos relacionados ao cuidado no contato com a tecnologia por parte das crianças, há também questões neurológicas a serem consideradas. O jornal Nexo publicou uma notícia que aponta as recentes pesquisas que vem sendo realizadas com jovens nos EUA, Inglaterra e China acerca de como o uso exagerado de smartphones pode produzir sintomas semelhantes aos de hiperatividade e déficit de atenção. Embora ainda não exista qualquer evidência de que essa situação altere estruturalmente o funcionamento do sistema nervoso, o constante isolamento e estimulação provocados pelas notificações, imagens, sons e comunicações virtuais favorece uma atenção flutuante, sempre pronta a mudar de foco.
É importante ressaltar que nenhuma das pesquisas chegou a qualquer afirmação conclusiva e que não existe nenhuma prova de que o uso de tecnologia possa gerar distúrbios. O que ocorre é que as formas de interação com o mundo sofrem influência constante da relação com a tecnologia, levando a certos comportamentos semelhantes aos observados em situações como déficit de atenção ou hiperatividade. Outro aspecto levantado pelas pesquisas é o preenchimento tecnológico dos momentos que antes seriam vivências de tédio. Esses são fundamentais para o relaxamento e também para o desenvolvimento da criatividade.
Os estudos foram realizados com jovens, cujo sistema nervoso ainda está em formação, mas com muito menos plasticidade do que nas crianças pequenas. Portanto, vale refletir sobre os possíveis efeitos neurológicos que o uso excessivo de tecnologia pode gerar quando ocorre na infância.
Segundo a Academia Americana de Pediatria, a exposição prolongada às telas pode causar problemas de atenção, dificuldades escolares, transtornos de sono e alimentares.
O universo digital é apenas outro ambiente
Na internet, as crianças fazem as mesmas coisas que sempre fizeram, apenas virtualmente. Como qualquer ambiente, a mídia pode ter efeitos positivos e negativos.
O papel dos adultos não mudou
Regras são regras, em ambientes reais ou virtuais – e as crianças precisam delas. Brincar com as crianças, estabelecer limites, deixar claro o que se espera delas e conhecer o que os amigos dela estão fazendo (seja no mundo real ou virtual) é um papel da família.
Exemplos têm papel fundamental
Para dar bom exemplo, os adultos também precisam limitar o seu próprio uso da mídia. O cuidado com as crianças também exige tempo longe de telas.
Aprendemos uns com os outros
Pesquisas em neurociência mostram que crianças muito pequenas aprendem muito mais através de uma comunicação de duas vias – ou seja, interagindo com as pessoas ao seu redor. O “tempo de conversação” entre cuidador e a criança é um fator crítico para o desenvolvimento da linguagem. Apresentações de vídeo não levam a aprendizagem da língua entre bebês e crianças. Quanto mais interativa, mais uma tecnologia tem valor educacional (por exemplo, uma criança que conversa por vídeo com um pai que está viajando). A partir dos dois anos de idade, as tecnologias digitais também têm um grande papel na redução de dificuldades de aprendizagem.
Tudo é uma questão de conteúdo
A qualidade do conteúdo é mais importante do que a plataforma ou o tempo gasto com meios de comunicação. Procure saber como a criança gasta o tempo online em vez de apenas definir um tempo limite em que ela pode ficar conectada. A participação da família no uso da tecnologia também pode facilitar a interação social e aprendizagem. A perspectiva do adulto influencia a forma as crianças compreendem sua experiência de mídia. Essa perspectiva pode mudar quando, por exemplo, o pai joga videogame com o filho. Para bebês e crianças, a recomendação é que os pais estejam sempre observando o que as crianças estão vendo na tela.
Limites são importantes
O uso da tecnologia, como todas as outras atividades, deve ter limites razoáveis. Para saber qual é o limite, pergunte-se: o uso da tecnologia ajuda ou dificulta a participação em outras atividades?
Zonas livres de
tecnologia
Preserve o horário das refeições em família e deixe os dispositivos do lado de fora do quarto da criança durante a noite. Essas ações incentivam o tempo da família, além de hábitos alimentares e sono mais saudáveis.