A tragédia ocorrida em um presídio em Manaus, no Amazonas, quando ao menos 56 detentos foram mortos após confronto entre facções criminosas rivais neste início de ano, deixa o sistema carcerário de Mato Grosso do Sul em alerta.

Isso porque o Estado apresenta uma superlotação em suas cadeias maior que a amazonense, segundo dados do Sistema Integrado de Informação Penitenciária (Infopen), do Ministério da Justiça e Cidadania.

No total, Mato Grosso do Sul tem 7.278 vagas para uma população carcerária de 15.549 detentos. Ou seja, um deficit de 8.371 novos lugares, atualmente, que gera uma superlotação de 115% nas cadeias estaduais.

No Amazonas, são 8.918 detentos para um sistema que oferece 3.430 vagas. O número de mortes registrado no Complexo Penitenciário Anísio Jobim é o maior desde o Massacre do Carandiru, em 1992, em São Paulo, quando 111 presos foram assassinados.

Na comparação com os estados vizinhos, MS também tem o maior número. Segundo os dados do governo federal, o deficit do Distrito Federal é de 7.485 vagas. Goiás aparece com necessidade de 6.501 novos lugares para abrigar sua população carcerária, enquanto Mato Grosso tem 4.229 detentos a mais que sua capacidade total nos presídios.

Ou seja, o Estado tem a maior superlotação da região Centro-Oeste. O deficit sul-mato-grossense é maior, inclusive, que o de estados como o Rio Grande do Sul (6.838 vagas faltando), Bahia (7.014), Pará (4.788) e Santa Catarina (4.780).

Para Ailton Stropa Garcia, diretor-presidente da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul (Agepen), os dados do estado são justificáveis pelas divisas e fronteiras, o que aumentam os flagrantes de tráfico de drogas.

“Temos quase 7 mil presos decorrentes desse crime. E a maioria é formada por moradores de outros estados. Fazemos fronteira com dois países e divisa com cinco estados. Quanto mais nossa polícia atua, mais nossos sistema carcerário incha”, disse Stropa.