Dentista se passava por médico e declarava óbitos em Campo Grande

A Polícia Civil prendeu dois homens, acusados de fazerem parte de um esquema de falsificação da declaração de atestados de óbito. O dentista Marco Aurelio Dorsa, 52 anos, e o agente funerário da Pax Anjos da Paz, Anderson Ferreira de Souza, 35, foram apresentados na manhã desta quarta-feira (18).

O caso foi descoberto quando uma funcionária do Serviço de Verificação de Óbito (SVO) entrou em contato com um médico, dizendo que haviam contradições e inverdades em uma declaração de óbito. Ao ver a declaração, o médico verificou que não seria assinatura dele.

“Veio até a delegacia dizendo que alguém estava usando carimbo dele e assinando a declaração de óbito”, conta o delegado Hoffman D’Avila Candido de Souza. A polícia então realizou diligências e ontem prendeu os dois envolvidos.

Como agiam – O delegado explica que, quando há a morte natural, seja no hospital ou na residência, um médico tem que atestar o óbito. “A família poderá contratar um médico para atestar o óbito. Também tem que passar pelo SVO para declarar a morte e liberar o corpo após um exame clínico, que pode ser feito in loco. Mas não foi o que aconteceu nesse caso”, conta.

“O médico do Samu foi ao local, atestou o óbito mas não preencheu a declaração que é usada para liberar o corpo. Aí entra a ação do agente funerário. Ele faz contato com o falso médico, que é um dentista atuante em Campo Grande. A funerária chega na família aproveitando do momento de dor, induz falando que tem um médico e que ele cobra tanto. A família contrata o serviço da funerária, que recebe o valor e vai até o falso médico, que faz a declaração de óbito, assinando e carimbando. O que é mais grave, sem verificar o óbito, sem fazer um exame clinico no corpo”, revela o delegado.

A polícia acredita que possam haver mais vítimas e também investiga se esse tipo de ação pode ter sido feita para encobrir algum crime. “Vamos aprofundar as investigações, se trata da ponta de um icebarg. Esse cidadão estava fraldando o serviço público de saúde, usando indevidamente o carimbo de um médico e atestando óbito sem saber se aquilo foi uma morte natural ou foi uma morte violenta, subtraindo da polícia judiciária a sua função de checar se houve algum crime”, finaliza.

A polícia também investiga outros envolvidos no crime. O agente ganhava, por declaração, cerca de R$ 300 a R$ 500, no qual repassava uma quantia ao dentista.

Informações e Foto: Diário Digital