Aquidauanense é o 19º transplantado na Santa Casa e comemora como presente de aniversário

A ligação feita dez dias depois de seu aniversário de 37 anos fez com que Alessander do Nascimento Romero, de Aquidauana, recebesse a notícia do novo rim como presente. No último dia 2 ele internou na Santa Casa de Campo Grande para seu transplante renal de doador falecido. Este foi o 19º paciente beneficiado com a doação do órgão em 2019.

Sua luta iniciou há quase 20 anos com a descoberta do Lúpus, doença autoimune que afeta múltiplos órgãos e tecidos dentre eles rins, cérebro, articulações e até mesmo a pele como no caso inicial de Alessander que sofria com manchas e feridas. Após a descoberta ele começou o tratamento e com a doença controlada deixou de fazer o acompanhamento por cerda de dois anos. Esse tempo foi o suficiente para que a doença comprometesse seus dois rins, levando-o ao diagnóstico de insuficiência renal.

Desde o diagnóstico em 2003 sua vida “parou”, os hábitos normais foram limitados pelo tratamento de hemodiálise que aconteciam três vezes na semana em sua cidade.  Neste período ele conta que buscou outras possibilidades para tentar “sair da máquina”. “Anos depois de iniciar a diálise me falaram de ir para São Paulo, eu fui e fiquei mais de um ano esperando na primeira vez e não chegou, pois eles priorizam pacientes de lá. Quando retornei para minha cidade, um tempo depois fiquei sabendo que a Santa Casa havia retomado os transplantes e isso me gerou mais esperança”, comentou o paciente.

Homem religioso, Alessander em todo esse tempo não perdeu a fé. As possibilidades de transplante por doador vivo aconteceram por parte da família, mas sua esperança estava em doação de doador falecido, pois alguns familiares não puderem fazer os exames por conta de seu estado clínico. Na lista de espera por doador falecido há quase dois anos na Santa Casa, ele não imaginava que dez dias depois do seu aniversário as coisas começariam a mudar e que seu presente tardou, mas não falhou!

“Eu estava no final do culto com minha família quando recebi a ligação da doutora e foi uma mistura de emoções. Quando ela me questionou sobre o transplante eu fiquei muito feliz.  No outro dia, às 6h eu já estava aqui no hospital, fiz uma sessão de hemodiálise e fui direto para o centro cirúrgico. No caminho eu só pensava que graças à Deus tinha chegado a minha vez. Foi o melhor presente de aniversário que eu poderia receber”, relembra e segue agradecendo. “Agradeço também a equipe onde fiz hemodiálise durante esse tempo em Aquidauana, que também estão felizes com minha vitória, além dos profissionais do setor de hemodiálise da Santa Casa de Campo Grande que cuidaram de mim com todo carinho esses dias”, finaliza.

Nove dias após o transplante, hoje, Alessander, vê a vida com mais alegria ao lado da esposa durante a internação e logo mais ao lado do filho de 11 anos, que, segundo ele, foi um dos que mais se alegrou com a notícia do sucesso do procedimento. Por conta de sua limitação, nem mesmo ensinar o filho a andar de bicicleta foi possível, um hobby que voltará a ser praticado. Um tempo novo que inicia em sua vida graças, também, a família do doador.

“Agora consigo voltar minha atenção ao meu filho, consigo pensar em coisas novas ao lado dele, como ensinar a andar de bicicleta, essa oportunidade não tínhamos antigamente. Sou muito grato a família do doador, pois se hoje posso voltar a planejar minha vida ao lado da família é graças a eles também, mesmo perdendo um parente, pensaram em ajudar o próximo”, agradeceu.

A equipe médica responsável pelo transplante foi composta pelo médico urologista Dr. Adriano Lyrio, pela médica nefrologista, Dra. Rafaella Campanholo, além dos demais profissionais do centro cirúrgico que participaram do procedimento como anestesista, enfermeiros e técnicos de enfermagem. (Por ASCOM Santa Casa de Campo Grande)