Campo se rende aos ‘agroinfluencers’ digitais

Lermen tem mais seguidores em seu canal no YouTube do que o número de habitantes em sua cidade

Os influencers digitais chegaram ao campo. Ou melhor: os “agroinfluencers”. Quem ainda não percebeu o potencial, pode se inspirar nas experiências reais e dicas virtuais de um deles, como Vanderlei Holz Lermen, 27 anos, pequeno produtor de Boa Vista do Buricá, na Região Noroeste do Rio Grande do Sul, localidade com menos de 7 mil habitantes, população que é bem menor do que o número de seguidores de Lermen em seu canal no YouTube, que soma mais de 11 mil inscritos. 

“No Facebook, tenho cerca de 1,5 mil solicitações de amizades pendentes, já que se pode ter no máximo 5 mil”, conta o pequeno produtor, que administra a propriedade de 10 hectares, somando terras próprias, do pai e arrendadas.
Bagagem de estudos e práticas para ser um influenciador digital Lermen tem de sobra. Além de sobreviver de atividades rurais como pecuária de leite e produção de hortaliças, ele acumula diplomas de tecnólogo em processos gerenciais e de agropecuária, é bacharel em desenvolvimento rural e atualmente faz, ao mesmo tempo, duas pós-graduações. E também ministra um curso on-line, criado por ele mesmo, sobre gestão no setor leiteiro.
Questionado sobre como é vida de celebridade digital rural, conta que em Boa Vista do Buricá o pessoal “não dá muita bola para isso”. Lermen afirma, porém, que é mais conhecido fora da cidade e até do Estado. Diz que já foi reconhecido pelas postagens no Facebook em uma cidade distante cerca de 200 quilômetros de onde mora. E que muitos dos acessos, comentários e perguntas que recebe não são postadas por produtores do Rio Grande do Sul, mas de regiões como Nordeste e Centro-Oeste.
“Nestas regiões, o pequeno produtor não tem tanto conhecimento técnico e informações de produção que aqui são mais divulgadas e adotadas. Então mesmo dicas simples que eu posto no YouTube e no Face tem muita repercussão por lá”, conta Lermen, que também é convidado para fazer palestras em diferentes cidades, especialmente para jovens.
Uma turma com hábitos urbanos e ligada às redes sociais está servindo de inspiração ao mundo da pecuária, das lavouras e das hortas. As mesmas ferramentas – como Facebook, Instagram e o YouTube – que transformam desconhecidos em influenciadores digitais também se rendem a divulgar informações entre pecuaristas e agricultores conectados. No lugar de internautas com milhares de seguidores divulgando técnicas de maquiagem, moda, gastronomia e viagem, os cliques do campo são direcionados aos agroinfluencers.
Os influenciadores digitais voltados ao agronegócio ainda são poucos e recentemente começam a ter suas referências nacionais. Mas já começam a chamar a atenção de grandes empresas, como a Bayer. No final do ano passado, a multinacional inaugurou, em São Paulo, um estúdio de gravação para influenciadores rurais. A estratégia é compreensível.
Com o produtor cada vez mais conectado ao mundo digital para gestão e controles da propriedade e seus maquinários, a Bayer identificou que o trabalhador e o empresário do campo estão cada vez mais propensos a buscar informações técnicas, dicas e troca de experiências também nas redes sociais. E melhor ainda se vier diretamente de quem atua em uma propriedade rural ou por uma razão ou outra, se ligou ao agronegócio.
Inaugurado em outubro, o Rede AgroServices Space oferece gratuitamente um estúdio de gravação para influenciadores digitais ou pretendentes a se tornarem um. Consultores e técnicos ligados à Rede AgroServices também utilizam o espaço e recebem ali mesmo orientações para melhor transmitir os seus conteúdos, dicas e informações de forma virtual. E espectadores para esse modelo de comunicação não faltam.

(MAIRA RAQUEL DILL/DIVULGAÇÃO/JC – Thiago Copetti)