Divergências, contradições e descaso marcam morte de idoso em Anastácio

Se já não bastasse a dor da perda, a família do idoso Ênio Pedroso de Almeida, de 84 anos que faleceu no último domingo segue em busca de respostas, diante de muitas contradições da equipe da Saúde de Anastácio.

Segundo autoridades anastacianas, o idoso seria a primeira vítima fatal do COVID-19 naquele município, porém o diagnóstico está sendo questionado pela família, que alega que os quatro testes realizados, sendo 2 positivos e 2 negativos, foram testes rápidos, nenhum, até o momento do LACEN. Outra versão contestada pela família é que o idoso teria sido infectado por uma de suas filhas que reside em Campo Grande, porém a mesma testou negativo para a COVID-19. Outras 3 pessoas da mesma família testaram positivo, porém em todos foram realizados testes rápidos, cujos resultados são questionáveis e em alguns tipos podem dar falso resultado em até 75%.

Mas, segundo um dos filhos do idoso, que leva o mesmo nome do pai, a secretaria de Saúde de Anastácio negou o pedido da família para fazer a contraprova em todos os casos, inclusive do seu pai.

Contradizendo o que anunciou em nota, a família nega a informação das autoridades anastacianas de que o idoso teria ficado em isolamento durante o período de internação, “é mentira, meu pai ficou internado na enfermaria, juntamente com mais quatro pacientes e em nenhum momento houve por parte da Saúde do município os cuidados para isolamento. Se realmente ele estava com a COVID-19, é provável que os demais que ficaram internados com ele e as pessoas que tiveram contato, também estejam”, disse Ênio Pedroso.

A família reconhece que o idoso era Cardiopata e DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), e mesmo após atendimento no Ginásio de Esportes na terça-feira (7), e mesmo o médico suspeitando que poderia ser Covid-19, liberou o paciente para ficar em sua residência.

Apresentando piora em seu quadro clínico, o idoso procurou atendimento na sexta-feira, dia 10 no no ESF Umbelina, foi atendido e liberado, já no sábado, dia 11, com dificuldades para respirar, procurou o serviço de emergência do município, na Abramastacio, onde ficou, com mais quatro pacientes e acompanhantes, internado.

Após teste rápido para COVID-19, testando positivo no domingo, os familiares não foram informados sobre o resultado do teste de coronavírus e nem orientados a ficar em isolamento. “Se ele estava em isolamento, porque quem o acompanhava não estava isolado também? Quantas visitas ele recebeu enquanto estava isolado? São perguntas que merecem respostas claras. Ao saber do diagnóstico de COVID-19, solicitei imediatamente uma cópia do resultado do exame, e que até este exato momento não me foi entregue”.

A família cobra respostas das autoridades asnastacianas e querem que o caso seja tratado com responsabilidade e respeito, “exigimos a contraprova dos testes, é um direito nosso”, disse Pedroso.

A reportagem do JNE fez contato através de aplicativo de mensagem com a secretária de Saúde que disse que todas as informações sobre o caso estariam no link: https://www.facebook.com/1783314481940253/posts/2712021015736257/?sfnsn=wiwspmo&extid=EukC8XXoDJkim0Nr

Questionado sobre a contraprova dos exames, isolamento do paciente e demais informações desencontradas, a secretária não respondeu.

INEFICÁCIA DO TESTE RÁPIDO

Em Aquidauana paciente testou positivo em exame realizado através de teste rápido, porém após contraprova com material enviado para o LACEN, o resultado foi negativo.

Especialistas são unânimes em dizer que é preciso testar a população. Mas com o teste certo. “Mais importante do que ter muitos testes é ter aqueles que forneçam informação adequada. A aplicação indiscriminada de testes sem qualidade deve ser uma preocupação”, alertou José Luiz Gomes do Amaral, presidente da Associação Paulista de Medicina (APM).

Entram também nesse grupo os chamados testes rápidos. A análise de anticorpos é feita com o sangue de uma “furadinha” na ponta do dedo. São ainda mais velozes — os resultados podem ser lidos em 15 minutos —, mas também mais imprecisos: a quantidade de falsos negativos é maior em comparação aos testes moleculares e exigem profissionais treinados para a interpretação dos resultados.