Um grupo de presos da Penitenciária de Regime Fechado da Gameleira, que ficou conhecida como “Supermáxima”, está em greve de fome para fazer uma série de reivindicações.

Familiares dos detentos alegam que tratamento da unidade, inaugurada em novembro de 2019, “é totalmente desumano”, enquanto a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) afirma que os internos estão exigindo “regalias”, como autorização para a instalação de TVs nas celas.

Companheira de um presidiário, que pediu para não ter o nome divulgado, afirma que o pedido de socorro chegou por bilhete, enviado por outro detento, através do advogado dele. “Muitos presos não têm colchão e nem uma coberta pra dormir em cima. A água para beber e tomar banho é quente. Totalmente desumano”.

Ela afirma que como as visitas estão suspensas, famílias também estão impedidas de levar alimentos para os internos. “Até a visita que é feita por videoconferência. Eles não tão deixando a família levar [comida]”.

No bilhete, preso escreve que ele e os colegas dos pavilhões 2 e 3 estão sem comer desde segunda-feira (15). O site de notícias Campo Grande News apurou, porém, que a greve de fome começou antes, estimulada por lideranças do PCC (Primeiro Comando da Capital) na unidade.

A Agepen confirma que o protesto foi mobilizado pela facção e estima que cerca de 150 detentos tenham aderido ao movimento. “Desde o sábado [dia 13], um grupo formado por lideranças negativas passou a recusar as refeições oferecidas, exigindo que sejam autorizadas algumas regalias na penitenciária, entre elas televisores nas celas”.

A agência informou, por meio de nota, que diariamente são garantidas a todos os 550 detentos três refeições diárias, além do abastecimento de água regular, atendimentos de saúde e psicossocial. Confirmou, no entanto, que o contato com parentes está temporariamente suspenso – só é permitido virtualmente, em virtude da pandemia – e que a entrega de pertences está restrita.

Também por meio da assessoria de imprensa, a Agepen ressaltou que “atua em conjunto com o Ministério Público e o Poder Judiciário, com correições regulares e audiências com internos no sentido de receber as demandas e atender o que realmente for pertinente”. “Todas as solicitações encaminhadas à Agepen são analisadas com base na rotina de disciplina estabelecida para a unidade prisional, sempre resguardando o princípio da dignidade humana”, completa o texto.

Fonte: Campo Grande News