Grande  parte dos incêndios registrados no Pantanal, em 2020, tiveram início possivelmente por ações humanas e possuem a probabilidade de ligação com atividades agropastoris, com quase 60% dos focos, conforme aponta levantamento apresentado pelos Ministério Públicos de Mato Grosso (MPMT) e Mato Grosso do Sul (MPMS).

Dos 4,5 milhões de hectares do Pantanal brasileiro, 30% foi consumido pelo fogo, entre o período de 01/01/2020 a 30/11/2020. O levantamento técnico, para nortear as ações dos órgãos, foi apresentado, em uma live organizada para debater estratégias para este ano, e aponta ainda que as ocorrências se concentraram no período proibitivo, portanto, quando não estavam autorizadas queimas controladas em propriedades rurais.

“O que chama atenção é que boa parte deste incêndio, que prejudicou inúmeros municípios e milhares de propriedades rurais, originou-se em, aproximadamente, 286 pontos de ignição, sendo 152 em propriedades privadas (registradas no CAR), 80 em áreas indígenas, 53 em áreas não identificadas e apenas 1 em unidades de conservação”, diz a nota.

O relatório ainda traz que 21 cidades de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso foram atingidas com as queimadas no bioma no ano passado.

Do total de áreas consumidas, 2 milhões de hectares estavam no Mato Grosso do Sul, abrangendo nove municípios, 722 propriedades inscritas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), 11 unidades de conservação e três terras indígenas.

Em Mato Grosso, área de 2,5 milhões foi consumida pelo fogo, em 12 municípios, atingindo 1336 propriedades inscritas no CAR, cinco unidades de conservação e três terras indígenas.

A maior parte dos focos, 69,75%, começou em áreas de vegetação rasteira e pastagem, comuns em propriedades rurais. Outros 30,25%, em áreas de vegetação nativa.

Conforme o levantamento, o ano de 2020 foi o que teve mais registros de fogo no Pantanal, desde o fim da década de 90, quando se iniciou o monitoramento pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O ano de 2020 foi o que teve mais registros de fogo no Pantanal desde o fim da década de 90, quando se iniciou o monitoramento pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O promotor do Núcleo Ambiental do MPMS, Luciano Furtado Loubet, destaca que o estudo traz caracterização mais nítida sobre o incêndio recorde registrado no Pantanal, mas não é capaz de apontar responsáveis.

“É praticamente impossível, somente com as imagens de satélite, identificar a causa real da ignição desses incêndios. Não é como uma câmera que fica filmando 24h. Sabemos que o incêndio começou, os pontos, mas não tem como constatar efetivamente se foi uma pessoa que riscou um fósforo, alguém que colocou fogo propositalmente, se é um carro que passou e jogou um cigarro e pegou fogo naquela área”, explicou.

O promotor lembrou, no entanto, que em todos estes pontos de ignição foram excluídas questões meteorológicas para a causa dos incêndios, como raios, visto que era período de estiagem severa.

Fonte: Correio do Estado