Em pulverizadora de R$ 1,7 milhão, ministro levanta chapéu ao céu, hoje em Dourados (Foto: Helio de Freitas)

O ministro do Turismo Gilson Machado Neto disse nesta quinta-feira (16) em Dourados que se o marco temporal para definir novas demarcações de terras indígenas for derrubado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), será o fim agronegócio no Brasil.

Ao participar da Expoagro Digital na segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul – versão online da feira agropecuária, afetada pela pandemia de covid-19 – Gilson Machado Neto se atrapalhou sobre a tese, cuja votação está empatada em 1 a 1 no STF.

Em cima de uma pulverizadora de R$ 1,7 milhão, exibida no Parque de Exposições João Humberto de Andrade Carvalho pela filial da empresa norte-americana Case IH, o ministro pediu o “microfone da Globo” e criticou o marco temporal. “Temos aí para ser aprovado o marco temporal e se for aprovado, vai decretar o fim do agronegócio no Brasil”, afirmou ele.

Na verdade, a tese de marco temporal é defendida pelos ruralistas e pelo presidente Jair Bolsonaro por limitar as demarcações a áreas de posse dos índios até a data de promulgação da Constituição Federal (5 de outubro de 1988). Na entrevista coletiva, ele mudou o tom e defendeu o marco temporal.

Conhecido como ministro sanfoneiro por tocar sanfona nas lives do presidente da República, Gilson Machado Neto é produtor rural, mas frisou que sua defesa pelo marco temporal leva em conta os interesses do País.

“Não quero nem falar como produtor rural, mas como brasileiro. O Brasil produz hoje um de cada cinco pratos de alimentos no mundo com apenas 7% do seu território usado para agricultura. O País já tem 14% de suas terras usadas só para reservas indígenas, onde moram 900 mil brasileiros. Se tiver mais 14% com esse marco temporal, vai decretar o fim do agronegócio no Brasil”, afirmou o ministro.

Acompanhando o ministro na agenda a Mato Grosso do Sul, o secretário de Assuntos Fundiários da Presidência, Luiz Antonio Nabhan Garcia, ex-presidente da UDR (União Democrática Ruralista), também defendeu o marco temporal.

“Enquanto Mato Grosso do Sul se revela celeiro para o mundo, temos aqui 151 propriedades invadidas por índios. Caso o STF venha a decretar o fim do marco temporal, será o caos estabelecido, não só em Mato Grosso do Sul, mas em todo o País. Essa é a posição do governo federal e a posição do presidente Bolsonaro”, disse Nabhan Garcia.

Gilson Machado Neto e Nabhan Garcia estão em Dourados acompanhados do gerente de Promoção Internacional de Projetos Especiais da Embratur, o douradense Rodolfo Nogueira, do secretário estadual de Infraestrutura Eduardo Riedel e do deputado estadual deputado Carlos Alberto David (sem partido).

Ainda hoje, o ministro faz palestra como parte da programação da Expoagro e nesta sexta cumpre agenda em Bonito, onde deve encaminhar detalhes da visita do presidente Jair Bolsonaro, prevista para o dia 1º de outubro.