Força-tarefa para eliminar focos da doença em Campo Grande - Karine Matos/PMCG

A chegada de um novo ‘genótipo cosmopolita sorotipo 2’, da dengue, já preocupa autoridades sanitárias em Mato Grosso do Sul. O vírus foi detectado por pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), pela primeira vez no Brasil. Em Campo Grande, de acordo com a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública), uma força-tarefa em sete regiões da cidade busca eliminar focos da doença.

“Esse genótipo é mais transmissível e mais patogênico. Atualmente, temos o mesmo número de casos de dengue do que todos os casos registrados no ano de 2021. E estamos somente no mês de maio ainda, portanto, trata-se de uma epidemia, que está localizada em uma cidade do centro-oeste do país, porém, sabemos de possíveis casos em todo o Brasil”, afirmou a infectologista Priscilla Alexandrino.

Capital está com ações contra dengue nas 7 regiões da cidade

Dessa forma, a secretaria está realizando ações de manejo e orientação nos bairros de Campo Grande, com inspeção em imóveis e terrenos, além da eliminação de criadouros e focos. Seguindo um cronograma, a primeira etapa termina no próximo sábado (14), em sete regiões da cidade. Em seguida, o serviço começa em outros bairros e vai até o mês de agosto.

Número de casos também cresce em Dourados

Com 250 notificações e 135 casos confirmados de dengue em Dourados, a situação volta a preocupar as autoridades. É o que aponta um boletim divulgado pela SES (Secretaria de Estado de Saúde), com crescimento de 36%.

Recentemente, agentes de saúde da Prefeitura, por meio do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), identificaram a presença do mosquito transmissor da doença em 75 bairros. Segundo o levantamento, os bairros com maior incidência são o Parque Alvorada e Altos do Indaiá, região oeste da cidade.

O coordenador do CCZ, Luiz Carlos Luciano Júnior, ressalta que a população pode atuar no combate ao mosquito cuidando do quintal de casa. “Durante essa época de chuva é preciso cuidado redobrado com objetos que podem acumular água parada, como plásticos ou tampinhas de garrafas, qualquer item que possa acumular água”, orienta Luciano.

Trabalho de combate à dengue em Campo Grande, nesta terça-feira – Karine Matos/PMCG

Qual tipo de dengue circula atualmente no país?

Atualmente, a linhagem asiático-americana é a que circula no país, também conhecida como genótipo 3 do sorotipo 2. Conforme a Fiocruz, a nova cepa dissemina de forma mais eficiente e nunca havia sido encontrada em território brasileiro, somente na Ásia, Pacífico, Oriente Médio e na África.

No entanto, tal genótipo foi encontrado em Aparecida de Goiânia (GO) e representa o segundo registro oficial do tipo nas Américas. Antes, a informação é de foco encontrado no Peru, no ano de 2019.

Vacina contra a dengue

De acordo com o Instituto Butantan, pessoas que já tiveram dengue podem ser reinfectadas por outro subtipo do vírus e se contaminar com uma variante mais grave da doença, por isso a vacina é uma medida de prevenção importante, pois é feita com os quatro tipos de vírus da dengue enfraquecidos.

Apesar de importante, o imunizante para prevenir a doença ainda tem acesso restrito e pode ser encontrado somente na rede particular de saúde.

Em Campo Grande, as vacinas contra a dengue podem ser encontradas somente em clínicas de imunização, de maneira particular. Na Clínica de Vacinação Vaccine Care, a vacina pode encontrada por R$ 170, no dinheiro, PIX ou débito e R$ 180, no cartão de crédito. Já na Imunne Life Clínica de Vacina, o valor normal do imunizante é de R$ 315, com convênio médico pode chegar a R$ 283 e R$ 267, à vista.

Na clínica Saúde Livre Vacinas, o valor da vacina é de R$ 295 e na Clínica Vaccini, o imunizante sai por R$ 300 no crédito e R$ 261, à vista.

Medidas de prevenção

Para prevenir a transmissão da dengue, é fundamental evitar água parada em pneus, garrafas, vasos de planta e recipientes que possam contribuir para a reprodução do mosquito. Confira algumas recomendações do Ministério da Saúde para evitar a doença:

  • Tampar tonéis d’água;
  • Manter calhas limpas;
  • Manter garrafas ou recipientes de boca para baixo;
  • Limpar e trocar areia dos vasos de planta semanalmente;
  • Manter lixeiras tampadas;
  • Preservar ralos limpos.  (*Com informações do Mídia Max)