Ônibus parados na Viação Cidade Morena nesta terça-feira (Campo Grande News)

Nesta terça-feira (21) não haverá transporte coletivo em Campo Grande. A greve não foi anunciada antecipadamente e pegou muitos usuários de surpresa. A decisão da paralisação foi tomada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo e, de acordo com o presidente Demétrio Freitas, a greve vai durar por tempo indeterminado.

Segundo Demétrio, os veículos não saem das garagens hoje, mesmo que o pagamento seja efetuado ainda nesta terça-feira, e a única conversa que tiveram com o consórcio foi o aviso da falta de pagamento. “Independente se pagar hoje, conforme os motoristas estão chegando, vão sendo dispensados”, disse ele ao site de notícias Campo Grande News.

Para garantir que a paralisação, Demétrio chegou às 2h30 na garagem da Jaguar, na Vila Bandeirantes, para impedir que o carro usado para buscar os primeiros motoristas saísse do local. Funcionários que trabalham nas garagens e no administrativo estão liberados da paralisação.

“Fomos pegos de surpresa, a passagem um absurdo e ainda nos deixam na mão. Tive que pedir um uber, vou pagar quase R$ 40,00 e não ganho isso em um dia de trabalho. No fim a gente que fica no prejuízo”, desabafou Adriele Oliveira, que é usuária do transporte coletivo e sempre pega o ônibus 307/308 no Coophamat.

A decisão de paralisar os serviços foi tomada depois que o Consórcio Guaicurus encaminhou um ofício aos trabalhadores anunciando que a situação financeira do grupo é “bastante grave” e não haveria condições de quitar compromissos “inadiáveis”, como pagamento de funcionários e fornecedores. O repasse do vale referente a 40% do salários dos trabalhadores já não foi realizado nesta segunda-feira, segundo advogado do consórcio.

Consórcio e prefeitura irão acionar a Justiça para acabar com a greve

Funcionários do transporte coletivo anunciaram a paralisação dos serviços de surpresa nesta terça-feira (21). Além da população em geral, o Consórcio Guaicurus também não foi avisado sobre a greve e agora pretende acionar a justiça.

“Tava em casa tranquilo, quando me avisaram achei que seria só um alerta, não uma paralisação geral. Essa greve não pode ser assim, do jeito que estão fazendo. Tem que comunicar 48h antes, fazer uma assembleia, comunicar a população e os órgãos públicos. Vamos entrar com medida judicial e estamos correndo atrás para conseguir fazer o pagamento dos funcionários”, disse Robson Luis Strengari, diretor-executivo do Consórcio Guaicurus.

Robson explicou ainda que o pagamento do vale, referente a 40% do salários dos trabalhadores, deveria ter sido realizado nesta segunda-feira, mas o consórcio não tem condições financeiras. A falta do pagamento foi o que motivou a paralisação.

“Estamos correndo atrás para conseguir fazer o pagamento, temos tentando dinheiro com os bancos. Estamos sem limite, mas vamos tentar novamente e acionar de novo a prefeitura. Só de óleo diesel estamos pagando um milhão e setecentos mil reais por mês”, explica Robson.

O diretor-presidente da Agereg (Agência Municipal de Regulação de Serviços Públicos), Odilon de Oliveira Júnior, afirmou que já havia uma reunião marcada para hoje entre prefeitura e consórcio para achar uma solução.

“A prefeitura tem feito das tripas coração. Fizemos o reajuste contratual no começo do ano. Fizemos algumas alterações técnicas para fortalecer o sistema. Começamos a pagar as gratuidades. Isso dá quase R$ 1 milhão. Com esse aumento do diesel desequilibrou tudo”, reclama.

Segundo Odilon, a prefeitura também deve judicializar a situação. “A greve tem que ser precedida por meios legais, comunicação prévia, deliberação de assembleia”, comentou.

Procurador-geral do município, Alexandre Ávalo afirma que se trata de uma relação privada entre empregados e empregador.

“O município é o poder concedente e vai avaliar tomada de medidas para restabelecer o serviço, pode, inclusive, como medida mais contundente, fazer a encampação do serviço. Mas até nesse momento, é uma insatisfação dos empregados com empregadores numa relação privada. A empresa é responsável por resolver as questões da relação de trabalho”.

De acordo com Demétrio Freitas, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo, nenhum ônibus vai rodar em Campo Grande nesta terça-feira. A greve vai durar por tempo indeterminado, até que seja realizado o pagamento dos funcionários. “Se pagarem hoje, a gente volta amanhã, se pagarem amanhã a gente volta na quinta”, disse Demétrio.

Fonte: Campo Grande News