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Ano violento em MS expõe mais um caso de feminicídio

O ano de 2025 já é apontado como um dos mais violentos para mulheres em Mato Grosso do Sul, segundo dados da segurança pública; somente até dezembro, 39 feminicídios foram registrados no Estado, número que coloca o ano como o terceiro pior desde a criação da Lei do Feminicídio, em 2015.

Uma dessas vítimas é Aline Barreto da Silva, de 33 anos, morta a facadas na madrugada de domingo (14), no município de Ribas do Rio Pardo. Um mês antes do crime, ela havia retomado o relacionamento com o ex-marido, Marcelo Augusto Vinciguerra, de 31 anos, apontado como autor do feminicídio.

A informação foi confirmada nesta segunda-feira (15) pelo delegado titular do município, Felipe Braga, em vídeo divulgado pela Polícia Civil. Segundo ele, o casal manteve um relacionamento por cerca de 12 anos; estava separado havia quatro anos e, em abril deste ano, Aline havia solicitado medida protetiva contra o ex-companheiro. No momento do crime, porém, a decisão estava inativa, pois a vítima havia reatado o relacionamento.

“Eles voltaram a conversar e estavam juntos havia cerca de um mês”; afirmou o delegado. Ainda conforme a investigação, o relacionamento era marcado por brigas constantes, especialmente durante essas idas e vindas; a principal motivação do crime teria sido ciúmes.

Horas antes de ser atacada, Aline chegou a ligar para a Polícia Militar pedindo socorro após uma discussão com o agressor. Uma equipe foi até o endereço informado; no entanto, não localizou nenhuma das partes. Segundo o boletim de ocorrência, um morador relatou que a vítima havia deixado o local.

A família, entretanto, contesta a atuação policial. Em entrevista, a irmã da vítima, Bruna Barreto, afirmou que Aline ficou sem amparo mesmo após pedir ajuda. “Foram meus pais que a encontraram e a levaram para o hospital; a polícia não foi quando ela ligou. Houve muita negligência”; disse.

Durante a madrugada, Aline foi esfaqueada três vezes, sendo dois golpes no tórax e um superficial na perna esquerda. Ela chegou a ser socorrida e encaminhada ao hospital da cidade; o estado de saúde era grave, com suspeita de pneumotórax. Apesar dos esforços da equipe médica, a vítima não resistiu aos ferimentos.

Marcelo foi preso em flagrante pela Polícia Militar em frente à residência após o crime; próximo a ele, os policiais encontraram uma faca com cerca de 30 centímetros de lâmina, apontada como a arma utilizada no ataque. Ele passou por audiência de custódia nesta segunda-feira (15) e teve a prisão preventiva decretada, optando por permanecer em silêncio durante o depoimento.

Segundo a família, o histórico de violência era antigo. “Ele sempre foi muito agressivo e ciumento; ela já havia denunciado várias vezes, pelo menos três que eu saiba”; relatou a irmã. Mesmo nos períodos de separação, os conflitos e a perseguição continuaram.

O casal tinha três filhos menores de idade. O caso foi registrado como feminicídio no contexto de violência doméstica e familiar; as investigações seguem para o completo esclarecimento dos fatos.

Com 39 mulheres assassinadas em 2025, Mato Grosso do Sul vive um cenário alarmante; o ano fica atrás apenas de 2022, com 44 casos, e 2020, com 40, reforçando o alerta para a urgência de políticas públicas mais eficazes de proteção às mulheres.

A Central de Atendimento à Mulher – 180 funciona 24 horas; é gratuita; a ligação pode ser anônima.

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