Aquidauana foi palco, nesta terça-feira (09), de um importante encontro com foco no fortalecimento da língua e cultura dos povos originários e no avanço das ações ligadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no Sul Global. A reunião aconteceu na sede da Associação Kopenopouti Txané, na Vila Trindade, e contou com a presença de representantes locais, lideranças indígenas, pesquisadores e autoridades internacionais.
O destaque da visita foi a presença da professora doutora Mara Rute Lima Hercelin, diretora de Projetos do Centro de Altos Estudos de Sustentabilidade e Educação – CAESE/CEAEDO França-Brasil (Cluster de Inovação), com sede em Paris. A pesquisadora veio a Aquidauana com três pautas prioritárias: o fortalecimento da Década da UNESCO das Línguas Indígenas (2022-2032), o projeto de cooperação acadêmica com a UEMS e a possibilidade de implantação de um projeto modelo de sustentabilidade no município.
Compromisso com as línguas indígenas
Durante o encontro, foi reafirmado o compromisso da Associação Txané como signatária oficial da Década da UNESCO para as Línguas Indígenas. A iniciativa busca preservar, revitalizar e promover as línguas maternas dos povos originários, consideradas fundamentais para a manutenção da identidade cultural e da memória ancestral.
“Estar em Aquidauana é um privilégio. A Associação Txané tem se mostrado uma força viva na luta pela cultura indígena, e a partir daqui levaremos essa voz aos organismos internacionais”, destacou a professora Mara Rute.
Parcerias pela sustentabilidade
A reunião também fortaleceu os laços de cooperação entre a Associação Txané, a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e o projeto internacional “Economia Azul”, voltado ao desenvolvimento sustentável com base no respeito à natureza e no aproveitamento consciente dos recursos naturais. A Rota Bioceânica, que ligará o Brasil ao Pacífico por via terrestre, foi apontada como vetor de progresso regional e de inclusão das comunidades tradicionais no processo de crescimento.
Professores doutores da UEMS participaram do encontro, entre eles Lúcio Flávio Sunakozawa e Jolimar Schiavo, integrantes do projeto da Rota Bioceânica, e Maria Fernanda Régis, da Rede Internacional de Educação e Emergência, além da psicóloga Adriana Sunakozawa, consultora do CAESE.
Presenças e reconhecimento
Entre as autoridades presentes estavam o prefeito Mauro do Atlântico, o vice-prefeito Dr. Murilo Acosta e o vereador Fred Frank. Representando as comunidades indígenas, marcaram presença o presidente da Associação Txané, Luis Gonçalo; o coordenador pedagógico das escolas indígenas da rede municipal, Prof. Dr. Wanderlei Dias Cardoso; o cacique do contexto urbano, Antonio Mariano; o vice-cacique Rolim Cândido; o pastor Jader Jorge Oliveira, além de lideranças tradicionais como Xumanó, Rosemiro Pereira, Janet Lili Azambuja, Anciã Nila Mariano e Alessandra Queiroz.
“A administração municipal está de portas abertas para parcerias que valorizem nossa cultura e promovam o desenvolvimento da nossa gente, especialmente com a chegada da Rota Bioceânica”, afirmou o prefeito Mauro do Atlântico.
Para o vice-prefeito Dr. Murilo Acosta, a visita é estratégica. “Consolida Aquidauana no cenário da Rota Bioceânica e reforça a atenção com os povos originários. Que venham investimentos que contemplem toda a nossa população”, disse.
O vereador Fred Frank classificou o encontro como histórico. “A doutora Mara veio conhecer de perto nossa realidade, e isso levará o nome de Aquidauana para instâncias internacionais. Isso é fruto da resistência e da força do nosso povo.”
Homenagens e encerramento
Ao final do evento, a direção do CAESE homenageou lideranças indígenas, autoridades locais e membros da Associação Txané com menções honrosas em reconhecimento às contribuições na defesa dos direitos e da cultura dos povos originários. Em gesto de reciprocidade, a Associação Txané também entregou certificados de reconhecimento à delegação visitante, celebrando a parceria em prol do bem comum.
A visita da professora Mara Rute representa mais do que uma agenda técnica — é um passo firme na direção do respeito, da escuta e da valorização das vozes indígenas. E, a partir de Aquidauana, essas vozes ganham eco internacional.

