A autonomia infantil vai muito além de permitir que a criança “faça sozinha”. Trata-se de um processo gradual de construção, que envolve respeito, segurança emocional e estímulo à tomada de decisões desde os primeiros anos de vida. Quando os pequenos têm espaço para participar ativamente da rotina, fazer escolhas, opinar e lidar com pequenos desafios, desenvolvem competências fundamentais como responsabilidade, empatia, iniciativa e pensamento crítico.
Na entrevista desta quinta-feira (18), a professora Simone Doms, orientadora educacional da unidade do Rio de Janeiro da Rede de Colégios Santa Marcelina, destacou a importância da parceria entre escola e família na formação de crianças mais autônomas. Segundo ela, quando educadores e responsáveis criam juntos ambientes que favorecem o protagonismo infantil, os ganhos são significativos para o desenvolvimento integral das crianças.
“A autonomia não acontece de um dia para o outro. É construída em etapas, com escuta ativa, confiança e incentivo. Quando a criança entende que pode contribuir com suas ideias, ela passa a se perceber como parte importante do ambiente em que vive”, afirma Simone.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reforça essa visão ao apontar a participação ativa dos estudantes como um dos pilares para o pleno desenvolvimento. A ideia é que, ao serem incentivadas a fazer escolhas e refletir sobre elas, as crianças se tornem mais seguras, conscientes e preparadas para os desafios do presente e do futuro.
Como estimular a autonomia das crianças no dia a dia:
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Ofereça escolhas adequadas à idade: deixar que a criança decida, por exemplo, entre duas roupas ou lanches já é um bom começo;
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Inclua a criança nas tarefas cotidianas: pequenas responsabilidades como guardar os brinquedos ou ajudar a arrumar a mesa fortalecem o senso de pertencimento;
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Valorize o esforço e não apenas o acerto: reconhecer a tentativa ensina que errar faz parte do aprendizado;
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Dê espaço para que ela resolva pequenos conflitos: com supervisão, é importante permitir que a criança pense em soluções antes da intervenção do adulto.
Quando há um alinhamento entre as ações da escola e da família, os resultados aparecem não apenas na independência, mas também na autoconfiança e na formação de uma identidade sólida.
“Autonomia é aprender a fazer com o outro, a escolher com consciência, a agir com responsabilidade. É assim que preparamos cidadãos mais humanos e participativos”, finaliza a professora Simone.

