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Avó já havia denunciado mãe que matou bebê; delegada descarta insanidade mental

A delegada de Proteção à Criança e ao Adolescente, Eliane Benicasa, não acredita em problemas psicológicos ou depressão pós-parto como motivos que provocara a morte de bebê de 5 meses, assassinada pela mãe na noite desta terça-feira, 22, na Vila Bandeirantes.

“Ela sugere que tenha problema psiquiátrico, mas eu acredito que não. Ela tem lucidez do que  fez. Em algum momento que eu tentei que ela me contasse se teria acontecido algo a mais, ela chegou a se emocionar, mas depois se cala e não quer falar mais nada”, diz Eliane.

Segundo a delegada, durante depoimento, Gabrielle Paez da Silva pareceu ciente enquanto afogava a filha em uma bica d’água que servia de chuveiro. “Ela ficou segurando a menina embaixo d’água, estava consciente que estava afogando a criança”, reforma

Apesar da delegada acreditar que Gabrielle não é insana, amigos afirmaram às polícia que a jovem já teve “surtos” e chegou a apontar faca para um ex-namorado, sem “motivo nenhum”. Também há relatos de uso de drogas e alucinações.

No histórico de Gabrielle, há uma denúncia de 2016, feita pela própria mãe dela ao Conselho Tutelar, quando ela estava grávida do primeiro filho, hoje com 4 anos. O teor da denúncia não foi divulgado.  A delegada comenta apenas que a avó da criança teria dito que a filha estava “estranha” à época.

A jovem também tem vários registros na DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher”, como vítima de ex-namorados.

Gabrielle foi mãe pela segunda vez, dois anos atrás. Hoje as duas crianças moram com a avó materna. Não há muitas informações sobre como ocorre a terceira gestação. Melanie nasceu há 5 meses. Mãe e filha passaram a morar sozinhas em uma casa alugada na Rua Santa Helena, na Vila Bandeirantes. Os vizinhos e membros da igreja Universal, frequentada por ela, ajudavam na alimentação.

O pai da bebê, de 40 anos, nunca registrou a criança ou pagou pensão. Segundo depoimento à delegada hoje, “porque não tinha certeza que a filha era dele”. O homem garantiu que “pedia exame de DNA, mas que a mãe negava”.

Mesmo assim, afirmou que era presente. Contou que esteve ontem pela manhã na casa de Gabrielle, tentou falar com a filha, mas a mãe não abriu a porta. “Disse que viu a mãe brincando com a criança e foi embora”, relata a delegada.

Comportamento estranho – O pai da bebê garante que a jovem já frequentou vária religiões. Mas a delegada também descarta qualquer ritual de purificação que tenha levado à morte. “Não tinha nenhuma evidência na casa que apontasse para isso”, explica.

Os vizinhos dizem que nos últimos dias, a jovem de 21 anos demonstrava comportamento estranho, reclusa, sem sair muito de casa.

Ontem, por volta das 20h, Gabrielle foi com a filha no carrinho, até a casa de amigas no bairro. Sentou, bebeu cerveja, conversou, até que as outras jovens perceberam que Melany estava muito quieta. Quando tocaram na criança, perceberam que ela já estava com o corpo rígido e correram para a UPA Leblon. Segundo as amigas, quando questionaram o que havia acontecido, e Gabrielle “dizia que não aconteceu nada e ria”.

A menina chegou morta à UPA por volta das 22 horas, com ânus dilacerado e hímen rompido. Em depoimento, Gabrielle não quis falar sobre o estupro, mas contou que levou criança recentemente ao posto de saúde, onde um médico teria dito que a bebê tinha fechamento vaginal, que era para passar pomada, mas ela acabou enfiado palitos na vagina da bebê.

Local do crime – As investigações começaram pelo imóvel onde mãe e filha moravam. Após o crime, a polícia encontrou casa muito suja e com roupas espalhadas. Na geladeira a só havia uma garrafa pet com leite congelado e uma lata de leite em pós. “Também havia muitas roupas espalhadas”, diz a delegada.

O dono do imóvel relatou que ontem o chuveiro da casa ficou ligado por cerca de quatro horas. Como batia na porta e ninguém atendia, resolveu desligar o registro.

Conforme as primeira diligências, ela agiu sozinha. Mas câmeras da região vão ajudar a mostrar o movimento na residência no dia do crime.

Fonte: Campo Grande News

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