Um estudo divulgado pela revista The Lancet Public Health revelou que o programa Bolsa Família foi responsável por evitar mais de 700 mil mortes e cerca de oito milhões de internações hospitalares no Brasil entre 2004 e 2019. Os impactos mais expressivos foram observados entre crianças com menos de cinco anos e idosos acima de 70.
A pesquisa indica que os benefícios para a saúde aumentam proporcionalmente ao número de famílias atendidas e ao valor médio das transferências por domicílio. Nessas condições, a taxa de mortalidade infantil apresentou uma queda de 33%, enquanto as internações de idosos com mais de 70 anos foram reduzidas em 50%. Os maiores ganhos foram registrados entre grupos historicamente marginalizados, como crianças em situação de extrema pobreza, famílias residentes em áreas rurais remotas e comunidades negras e indígenas.
Essa é considerada a primeira avaliação ampla do impacto do Bolsa Família na mortalidade por todas as causas e em todas as faixas etárias. O estudo contou com a participação de pesquisadores do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz, da Universidade Federal da Bahia e da Universidade de Barcelona. A análise abrangeu dados de 3.671 municípios, representando mais de 87% da população do país.

