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Caravana facilita até a compra de um óculos novo

O maior programa em saúde pública já criado em Mato Grosso do Sul a Caravana da Saúde gera não apenas o atendimento humanizado e elimina a fila interminável de pacientes do SUS a espera de uma cirurgia. A corrida ao serviço por milhares atrai a informalidade do comércio e ajuda as pessoas a adquirir bens necessários para melhorar sua qualidade de vida, a exemplo do que ocorre em Campo Grande.

A sensação do alivio de voltar a enxergar ao ser operado de catarata na Caravana da Saúde, depois de anos vivendo na escuridão e sem conhecer os netos, se completa para pessoas simples como seu Honorato Ferreira, 76, ex-roceiro e morador na periferia da Capital. Ele precisará usar óculos, mas não tem como comprar por conta de sua aposentadoria de salário mínimo; contudo encontrou apoio para enxergar melhor.

O número recorde de cirurgias oftalmológicas na Capital – estima-se mais de 12 mil somente de catarata – atraiu uma grande quantidade de lojistas que trabalham com ótica na entrada dos pavilhões do Centro de Convenções Albano Franco e, com isso, pacientes como seu Honorato Ferreira encontram facilidades para adquirir uma lente de grau ou uma armação. A crise e a concorrência estão do lado dos pacientes.

“Quando me recuperar da cirurgia, vou voltar aqui para comprar o óculos; até já escolhi um, tá bem barato e o pagamento pode ser parcelado sem aquela papelada toda que embaralha a gente”, decidiu o ex-roceiro, assediado pelos comerciantes. “Enxergando tudo agora posso até pra roça, onde me criei”, brinca seu Honorato, que tem um sonho proporcionado pela Caravana: aprender a ler e escrever.

Virada nos negócios

Com a queda de vendas no comércio, alguns lojistas encontraram na Caravana da Saúde uma saída para recuperar os investimentos e manter o negócio, evitando desemprego e até mesmo o encerramento da atividade. Em pequenas mesas onde espalham todo tipo de armação de óculos e com o trabalho de convencimento do cliente com distribuição de folhetos, eles encontraram na ação do governo a saída para a crise.

“O cliente que sumiu das nossas lojas encontramos aqui na Caravana da Saúde. Foi a melhor coisa para o nosso comércio, deu uma virada nos negócios e animou todo mundo”, comemora o empresário Rogério Ferreira, sócio de uma rede de três lojas de ótica. Ele diz que as vendas chegam a R$ 20 mil por dia, o dobro do que vinha sendo comercializado nas lojas.

Para atrair os pacientes da Caravana, os comerciantes disponibilizaram aparelhos de qualidade média e realizam promoções de até 60% nos preços. “Perdemos no valor da mercadoria, mas ganhamos na quantidade”, conta Vando Barbosa, que deixou a loja e está com um ponto de vendas em frente ao Albano Franco. “Vendemos uma média de dez armações ou lentes por dia; na loja não chegava a dois.”

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