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Com 20 mulheres mortas, MS tem uma das maiores taxas de feminicídio do país

Mato Grosso do Sul registrou 20 casos de feminicídio em 2024, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Com uma taxa de 2,4 mortes para cada 100 mil mulheres, o estado ocupa a terceira posição no ranking nacional, ficando atrás apenas de Mato Grosso (2,6) e Piauí (2,5). A média brasileira foi de 1,4 por 100 mil.

No cenário regional, MS lidera no Centro-Oeste, superando Goiás (1,6), Distrito Federal (1,4) e Tocantins (1,2). O levantamento ainda revela que essa foi a maior taxa do estado desde o início da série histórica de feminicídios na publicação.

Entre as vítimas sul-mato-grossenses, uma possuía medida protetiva de urgência ativa no momento do crime — o que levanta questionamentos sobre falhas na fiscalização. O relatório também destacou que, em 2023, dois casos no estado terminaram com o suicídio do agressor, padrão que indica altíssima letalidade nas relações íntimas.

O perfil das vítimas acompanha a tendência nacional: a maioria era negra, tinha entre 18 e 44 anos e foi assassinada dentro de casa, por companheiros ou ex-companheiros. No Brasil, 64,3% dos feminicídios ocorreram dentro da residência da vítima; 70,5% das vítimas estavam nessa faixa etária; e 97% foram mortas por homens. Em 8 a cada 10 casos, o autor era parceiro ou ex-parceiro.

Armas brancas, como facas e objetos perfurantes, foram os instrumentos mais utilizados nos crimes, seguidas por armas de fogo e objetos contundentes.

Em Campo Grande, onde atua a Patrulha Maria da Penha, o número de medidas protetivas tem crescido. No entanto, o cumprimento dessas ordens ainda enfrenta sérios entraves — sobretudo no interior do estado, onde muitas cidades não possuem estrutura adequada para atendimento às mulheres em situação de violência.

O Anuário também alerta para a lentidão na implementação de políticas públicas. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a fiscalização das medidas protetivas ainda depende, em muitos estados, da disponibilidade de efetivo policial, o que compromete a eficácia do instrumento em casos de reincidência.

Especialistas ouvidos no relatório defendem ações urgentes, como o uso de tornozeleiras eletrônicas, monitoramento por aplicativos e a criação de redes intersetoriais de proteção, como formas de conter o avanço do feminicídio no país.

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