Jornal Notícias do Estado

Conflito por Terra no MS: Guarani-Kaiowá Alertam para Possível Suicídio Coletivo

A situação crítica em uma comunidade Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul levou o governo federal a intervir em um dos conflitos fundiários mais antigos e violentos do Brasil. Os indígenas reivindicam a área ocupada conhecida como Guyraroká, localizada no município de Caarapó, que é alvo de interesse por parte de produtores rurais.

No dia 16 de outubro, a Po

Após essa escalada, Leador Machado, diretor do departamento de mediação de conflitos do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), revelou que lideranças indígenas, incluindo um ancião de 106 anos, expressaram a disposição de morrer na terra caso a polícia retornasse à área. “Eles estão no limite. São um povo triste e acuado, que insinua a possibilidade de suicídio coletivo”, afirmou Machado, ressaltando que para eles, a morte representa uma forma de resistência e esperança de novas retomadas.

A violência contra os indígenas se intensificou em outubro, com relatos de agressões e ameaças por parte da polícia. Após o incêndio na Fazenda Ipuitã, a comunidade ocupou a sede da fazenda em resposta a um sequestro de uma jovem indígena e suspeitas de abuso sexual. A presença da PM na área foi autorizada novamente pela Justiça, aumentando o temor de novos confrontos.

Diante da escalada de tensão, o Ministério dos Povos Indígenas pressionou o governo federal a enviar um

O conflito se concentra na Terra Indígena Guyraroká, reconhecida pela Funai em 2004, mas cuja demarcação foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2014. Atualmente, cerca de 200 Guarani e Kaiowá vivem em uma área de 50 hectares cercada por plantações de soja, milho e cana-de-açúcar.

A comissão federal está buscando uma trégua nas retomadas indígenas até que o governo e o STF consigam negociar a questão da demarcação. “O que queremos é evitar uma tragédia”, concluiu Machado, ressaltando a importância de uma solução negociada para o conflito. Uma portaria será publicada nos próximos dias para formalizar os encaminhamentos da comissão, com um prazo de 180 dias para a conclusão das medidas.

Sair da versão mobile