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Conversas apontam esquema entre policiais e traficantes para desvio de cocaína

Conversas interceptadas durante uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) apontam para um esquema organizado envolvendo policiais civis e traficantes no desvio e comercialização de drogas apreendidas em operações policiais.

As informações constam no documento que embasou a Operação Infiltrados, que cumpriu 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.

De acordo com o Gaeco, o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, conhecido como “Careca”, é apontado como um dos responsáveis pelo esquema de desvio de entorpecentes, principalmente cocaína.

Diálogos registrados em 2022 mostram traficantes negociando com os policiais a retirada de novas cargas de drogas. Em uma das conversas, Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, afirmou que não havia conseguido retirar uma nova remessa na Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) porque pagamentos anteriores ainda não haviam sido quitados.

Segundo as informações reunidas pelo Gaeco, os policiais mantinham drogas disponíveis para entrega, mas condicionavam o fornecimento de novas cargas ao pagamento das remessas anteriores.

Em outro diálogo, Lucas voltou a cobrar o pagamento e afirmou que precisava quitar a dívida para conseguir retirar mais drogas antes do fim daquele ano.

As conversas também fazem referência ao período de férias dos policiais. Segundo o Gaeco, a preocupação dos traficantes com o chamado “recesso” dos fornecedores reforça a suspeita de que policiais civis lotados na Denar participavam do repasse dos entorpecentes.

Ainda conforme a investigação, as drogas desviadas eram provenientes de apreensões realizadas pelas forças de segurança. Parte dos entorpecentes teria sido omitida dos registros oficiais ou retirada diretamente de depósitos policiais.

Depois do desvio, as drogas seriam entregues a traficantes ligados à organização criminosa, responsáveis por recolocá-las no mercado ilegal.

A investigação teve início em outubro de 2025, a partir de elementos obtidos nas operações Traquetos e Blindspot. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), as apurações apontaram a participação de policiais em um esquema de desvio de drogas, especialmente cocaína.

A defesa de Lucas da Silva dos Santos, representada pelo advogado Tiago Bunning, afirmou ao Jornal Midiamax que ele já estava preso preventivamente e respondendo a uma ação penal. Segundo a defesa, não haveria fatos novos que justificassem uma nova prisão, especialmente envolvendo familiares.

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