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Denúncia aponta possível direcionamento em licitação de R$ 20 milhões da Fiems

Uma denúncia encaminhada ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) aponta possível direcionamento em uma licitação da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), prevista para ocorrer nesta quinta-feira (8). O processo prevê investimento de aproximadamente R$ 20 milhões na compra de uma usina de geração de energia solar.

Segundo a denúncia, a Usina San Vito Solar seria a empresa indicada para vencer a disputa. A unidade é administrada pela A. P. Gestão Empresarial, controlada por Alessia Parisi.

O documento, apresentado de forma anônima ao MPMS, afirma que o processo teria sido articulado desde janeiro de 2026 entre o presidente da Fiems, Sérgio Longen, e integrantes do grupo empresarial ligado a Massimo Parisi, proprietário da MS Energy.

De acordo com a denúncia, a usina que seria adquirida pela Fiems já estaria construída e em funcionamento. O denunciante também afirma ter ouvido conversas entre Parisi e Longen sobre uma suposta divisão de valores relacionados ao faturamento da MS Energy.

A reportagem informou que Massimo Parisi fundou a San Vito em dezembro de 2023, com investimento de R$ 8,4 milhões. Em 2026, empresas ligadas ao empresário passaram por alterações societárias, incluindo a Usina San Vito, que passou a ter como sócia a A. P. Gestão Patrimonial e Empresarial.

A denúncia relaciona as mudanças societárias à situação financeira do grupo MS Energy, que entrou com pedido de recuperação judicial em fevereiro deste ano. Documentos do processo apontam dívidas de aproximadamente R$ 56,9 milhões.

Suspeita de direcionamento técnico

Uma das principais suspeitas apresentadas ao MPMS é de que o edital teria sido elaborado com especificações técnicas capazes de restringir a concorrência e favorecer a Usina San Vito.

Entre as exigências está a utilização de módulos fotovoltaicos com potência mínima de 600 Wp. Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, essa exigência poderia eliminar outras usinas de porte semelhante.

A Usina San Vito utiliza 5.186 módulos de 695 W, com capacidade aproximada de 3,6 MWp, além de dez inversores de 250 kW, totalizando 2,5 MW em corrente alternada. Os números estão dentro das faixas estabelecidas no edital da Fiems.

Outro ponto citado é a relação entre a potência dos módulos e dos inversores. Os parâmetros encontrados na San Vito também se enquadram na faixa estabelecida no edital.

As coincidências entre as características técnicas da usina e as exigências do processo deverão ser analisadas pelos órgãos de fiscalização.

Relação com a Fiems

A MS Energy já participou de projetos de geração de energia solar da Fiems. Em 2023, a entidade informou que estava concluindo a construção de um complexo de usinas fotovoltaicas no Clube de Campo do Sesi, em Campo Grande.

O projeto tinha capacidade prevista de até 3,4 MWp e investimento de R$ 25 milhões. A meta da Fiems era alcançar 10 MWp de geração por meio das unidades.

Documentos apresentados pela MS Energy no processo de recuperação judicial também apontam relações financeiras com integrantes ligados à Fiems.

Entre os credores aparece Luiz Gonzaga Crosara Júnior, vice-presidente da Fiems, com R$ 700 mil a receber. Crosara também aparece como administrador de uma empresa criada pela Fiems para o programa Em Conta Energia Renovável.

Outro credor citado é a Alira Empreendimentos e Participações, que possui participação na Usina Flor do Campo, em Anastácio, e tem como controlador Jaime Verruck, ex-diretor da Fiems.

Investigação

A denúncia será analisada pelo Ministério Público, que poderá verificar as informações apresentadas e apurar se houve irregularidades no processo licitatório.

A Controladoria-Geral da União (CGU) também informou anteriormente que poderá incluir denúncias de suspeitas de fraudes em licitações envolvendo a Fiems em uma próxima auditoria sobre o Sistema S em Mato Grosso do Sul.

A reportagem procurou a MS Energy para comentar as acusações. Por telefone, a empresa informou que alguém entraria em contato, mas não houve retorno até a publicação. Também foram enviados questionamentos por WhatsApp, e-mail e redes sociais.

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