A estratégia de Mato Grosso do Sul para humanizar o atendimento a mulheres vítimas de violência combina o rigor da Polícia Científica com o acolhimento da rede de proteção, transformando vestígios invisíveis — como mensagens deletadas, DNA e marcas corporais — em provas fundamentais para elucidar feminicídios e agressões. Com atuação nos 79 municípios e unidades especializadas na Capital e no interior, o Estado utiliza a perícia criminal para esclarecer dinâmicas complexas que muitas vezes contradizem relatos iniciais de suicídio ou morte acidental. Esse trabalho técnico é o pilar que sustenta a materialidade do crime, garantindo que a justiça seja baseada em evidências científicas sólidas coletadas diretamente nas cenas de ocorrência ou em exames de corpo de delito.
A integração do atendimento é o diferencial que evita a revitimização, permitindo que a mulher realize exames médico-legais no mesmo espaço onde recebe suporte psicológico e jurídico, eliminando deslocamentos fragmentados. Na Capital, a seção do IMOL na Casa da Mulher Brasileira registrou um salto expressivo na demanda, passando de 618 atendimentos em 2023 para 1.524 em 2025, o que reflete a consolidação desse modelo que reduz as barreiras de acesso. No interior, iniciativas como o Projeto Acalento, em Dourados, e a implementação de Salas Lilás em cidades como Amambai, oferecem ambientes reservados e privativos, garantindo que o rigor da produção da prova caminhe lado a lado com a dignidade e o acolhimento das vítimas.

