A manhã desta quarta-feira (29) foi marcada por um novo protesto de indígenas que interditaram a rodovia BR-345, na altura do quilômetro 14, entre Aquidauana e Cipolândia. A manifestação, anunciada previamente pelas lideranças durante reunião realizada na segunda-feira (27), busca chamar a atenção do Governo de Mato Grosso do Sul para as precárias condições da estrada que dá acesso à Aldeia Limão Verde e cobrar o início das obras de pavimentação asfáltica prometidas para o trecho.
O governo estadual já havia anunciado a pavimentação da via até a entrada da Aldeia Limão Verde, mas não sinalizou se os estudos técnicos foram concluídos, nem apresentou previsão para licitação ou início efetivo das obras. A falta de informações concretas tem gerado descontentamento entre as lideranças indígenas, que aguardam um posicionamento oficial do Estado sobre o andamento do projeto.
Durante o protesto, os manifestantes garantiram passagem livre a ambulâncias, veículos de emergência e pessoas com consultas ou exames agendados. No entanto, afirmam que o bloqueio seguirá até que representantes da Casa Civil estadual compareçam ao local para dialogar diretamente com as lideranças.
Incidentes recentes reforçam reivindicações
O movimento ocorre em meio a uma semana marcada por incidentes e transtornos na mesma rodovia, reforçando a urgência das melhorias reivindicadas.
Na terça-feira (28), um caminhão ficou atolado e bloqueou completamente o tráfego na MS-345, rodovia que liga Aquidauana à Aldeia Limão Verde. O incidente ocorreu em um trecho em obras, próximo ao entroncamento com a BR-419, onde as chuvas recentes deixaram o solo lamacento e escorregadio.
Segundo relatos de motoristas, apenas motocicletas conseguem trafegar pelo local. A via, que também dá acesso à estrada dos Indaiás e ao Distrito de Cipolândia, apresenta pontos críticos desde as fortes chuvas registradas no domingo (26).
Moradores relataram que, na segunda-feira (27), o ônibus escolar que transporta professores para Cipolândia não conseguiu atravessar o trecho, o que resultou na suspensão das aulas no distrito.
A estrada integra um projeto de obras de melhoria e terraplanagem, voltado a facilitar o acesso às comunidades rurais e indígenas da região, mas as condições climáticas interromperam temporariamente os trabalhos, comprometendo o tráfego até que o solo seque e as intervenções possam ser retomadas.
Acompanhamento policial e negociação
O comandante do 7º Batalhão da Polícia Militar (7º BPMS), Coronel Nascimento, informou ao JNE que “o bloqueio continua, e os manifestantes estão aguardando uma reunião entre o Estado e a Prefeitura para a liberação do tráfego.”
O comandante também destacou que viaturas do 7º BPM permanecem no local, acompanhando a movimentação, que segue pacífica.
Cobrança por solução definitiva
O bloqueio ocorre em um ponto estratégico, a cerca de 12 quilômetros do centro de Aquidauana, e mobiliza dezenas de indígenas em busca de uma solução definitiva para os problemas históricos de infraestrutura viária na região.
As lideranças reforçam que, caso o asfaltamento não avance, exigem que o governo realize a manutenção do trecho seis vezes por ano — três vezes no primeiro semestre e três no segundo — como medida emergencial para garantir o tráfego seguro.
O Jornal JNE segue acompanhando a situação e aguarda posicionamento oficial do Governo do Estado sobre a previsão de início das obras de pavimentação anunciadas para o acesso à Aldeia Limão Verde.

