A influenciadora digital Daniele Santana Gomes continuará presa após decisão proferida durante audiência de custódia realizada neste domingo (1º). Ela foi detida preventivamente na última sexta-feira (30), em Campo Grande, por descumprimento de medidas protetivas de urgência. A prisão foi cumprida por equipes do GOI (Grupo de Operações e Investigações) da PCMS (Polícia Civil de Mato Grosso do Sul), em razão de um mandado que estava em aberto.
O advogado Oswaldo Meza, responsável pela defesa da influenciadora, explicou que o magistrado entendeu não haver ilegalidade na prisão. Segundo ele, a audiência de custódia tem como finalidade avaliar eventuais irregularidades no ato da prisão, e não o mérito do processo.
“A audiência de custódia é para soltar ou não quando existe ilegalidade. Nesse caso, o juiz entendeu que não houve ilegalidade na prisão, não no processo em si. Por isso, manteve a prisão preventiva”, afirmou o advogado.
Ainda de acordo com a defesa, já foi protocolado pedido de revogação da prisão preventiva. Daniele é conhecida nas redes sociais como “Coach Irônica” e possui milhares de seguidores.
“Agora vamos entrar com recurso pedindo a revogação da prisão, para colocá-la em liberdade”, disse Meza.
No sábado (31), o advogado alegou que a prisão faria parte de uma suposta campanha de perseguição e afirmou ainda que houve violação da legislação penal, sustentando que a audiência de custódia deveria ter ocorrido em até 24 horas após a prisão.
“A Lei Maria da Penha está sendo flagrantemente instrumentalizada para silenciar a requerente por suas denúncias contra terceiro, o que caracteriza desvio de finalidade”, declarou.
Prisão preventiva foi solicitada pelo Ministério Público
O pedido de prisão preventiva foi feito no dia 22 pelo promotor de Justiça Izonildo Gonçalves de Assunção Júnior, do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), com base no descumprimento das medidas protetivas.
“O Ministério Público Estadual vem representar pela prisão preventiva em razão do descumprimento das Medidas Protetivas de Urgência, previstas no artigo 24-A da Lei 11.340”, diz trecho do pedido.
Segundo os autos, ao menos dois processos em andamento contra a influenciadora resultaram na concessão de medidas protetivas às vítimas, em razão de práticas reiteradas de violência psicológica e perseguição, principalmente por meio das redes sociais, como Instagram e TikTok.
Entre as restrições impostas, Daniele estaria proibida de se aproximar das vítimas, familiares e testemunhas, bem como de divulgar, mencionar ou compartilhar qualquer conteúdo relacionado a elas. No entanto, as vítimas procuraram a Justiça alegando que as medidas estariam sendo descumpridas.
Na quinta-feira (29), o juiz Marcus Abreu de Magalhães deferiu o pedido do Ministério Público.
“Diante do exposto, defiro o pedido do Ministério Público para a decretação da prisão preventiva”, diz trecho da decisão.
Influenciadora também é investigada por difamação contra delegado
Além dos processos relacionados às medidas protetivas, Daniele Santana Gomes também é investigada por difamação e calúnia contra um delegado da Polícia Civil. O inquérito foi instaurado em setembro de 2025.
Na ocasião, uma mulher de 29 anos procurou uma delegacia em Campo Grande para registrar boletim de ocorrência contra o ex-marido, após orientação da influenciadora. O delegado responsável não identificou elementos que configurassem crime e orientou a mulher a procurar a influenciadora.
Posteriormente, a autoridade policial tomou conhecimento de um vídeo que circulava nas redes sociais, no qual a mulher o acusava de ter se recusado a registrar a ocorrência. No dia seguinte, Daniele publicou um vídeo apresentando-se como advogada da mulher e atribuiu falsamente ao delegado a prática de prevaricação, além de afirmar que ele estaria protegendo o ex-marido por suposta ligação familiar com policial civil — informação negada pela autoridade.
O delegado registrou o caso em outra unidade policial, resultando na abertura de inquérito contra a mulher e a influenciadora.

