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Mãe, filha e neto foram queimados vivos após serem esfaqueados

Mato Grosso do Sul segue entre os estados com maiores índices de violência contra a mulher no país. Apenas em 2025, já são mais de três dezenas de feminicídios registrados, cenário que reforça a gravidade e a recorrência desses crimes no estado. Neste contexto alarmante, um novo episódio de extrema brutalidade chocou a cidade de Rochedo: mãe, filha e neto foram mortos dentro de casa, esfaqueados e queimados vivos.

As investigações já confirmaram que as três pessoas encontradas mortas na residência incendiada foram esfaqueadas antes de morrerem queimadas. Exames realizados pelo médico legista identificaram perfurações no pescoço e no tórax das vítimas, além de fuligem na traqueia — evidência de que ainda respiravam quando o fogo começou, indicando que podem ter sido queimadas vivas.

A tragédia ocorreu na madrugada desta segunda-feira (10) e vitimou Rosimeire Vieira de Oliveira, de 37 anos; sua mãe, Irailde Vieira Flores de Oliveira, de 83; e o filho adolescente, de 14 anos. O ex-namorado de Rosimeire, Higor Thiago Santana de Almeida, de 31 anos, foi preso em flagrante e apontado pela Polícia Civil como autor do triplo homicídio.

Segundo o delegado Jarley Inácio, responsável pelo caso, o suspeito teria agido por vingança após o término do relacionamento, que durou cerca de quatro meses. “Foi uma ação brutal e planejada. As vítimas foram golpeadas com um instrumento perfurocortante e, mesmo feridas, ainda estavam vivas quando o autor incendiou a casa”, afirmou.

A disposição dos corpos ajudou a esclarecer a dinâmica da violência. A idosa estava em seu quarto; o adolescente, no corredor; e Rosimeire, próxima à porta da casa, indicando tentativa de fuga. A investigação aponta que ela foi atingida pelas costas, na região do pescoço, próximo à coluna cervical.

Os sinais de fuligem nas vias respiratórias confirmam que as três vítimas sobreviveram aos golpes iniciais e morreram inalando fumaça e queimadas. “Elas lutaram para sobreviver, mas não conseguiram sair. O fogo se espalhou rapidamente. Foi uma morte extremamente dolorosa”, destacou o delegado.

Inicialmente, o caso chegou a ser tratado como incêndio acidental, mas essa hipótese foi descartada ainda durante a madrugada. A perícia não identificou ponto espontâneo de ignição, e uma análise de engenharia elétrica afastou falhas na rede. O laudo do médico legista, com perfurações compatíveis com arma branca e presença de fuligem, consolidou a linha de investigação por crime doloso.

A faca usada no crime foi encontrada perto da casa e reconhecida por testemunhas como pertencente ao local onde o suspeito morava. Botas e roupas com sangue também foram apreendidas e encaminhadas ao Instituto Médico Legal. Ao todo, cinco perícias foram realizadas, além de diversas diligências para reunir indícios de autoria e materialidade.

Higor já tinha passagem por violência doméstica. No interrogatório, apresentou uma versão considerada “fabricada” pela Polícia Civil. “Desmontamos cada contradição até chegarmos à convicção da autoria. Representamos pela conversão do flagrante em prisão preventiva”, explicou Jarley.

Horas antes do incêndio, Rosimeire enviou mensagens à família relatando medo e afirmando que alguém rondava a residência. Segundo a sobrinha, Rosilaine Gomes, ela estava assustada com o ex-namorado. “Ela dizia que ele queria morar com ela e ela não queria. Depois mandou mensagem dizendo que tinha alguém dentro da casa”, relatou.

Sem unidade do Corpo de Bombeiros em Rochedo, vizinhos tentaram conter as chamas com baldes e mangueiras, mas o fogo já estava avançado. “Quando abrimos a janela, era muito fogo. Ficamos desesperados”, contou uma moradora. A residência foi totalmente destruída. “Foi muito triste ver três caixões saindo daquela casa”, disse outra vizinha, emocionada.

A Polícia Civil investiga o caso como dois feminicídios qualificados e um homicídio, além de incêndio criminoso. Para o delegado, não há dúvidas quanto à motivação: “Ela terminou e ele não aceitou. Voltou para se vingar, tirando a vida dela, da mãe e do filho de forma covarde”.

Com as mortes de Rosimeire e Irailde, o estado chega ao 35º e 36º feminicídios de 2025, segundo dados da Sejusp, reforçando o alerta sobre a escalada da violência contra mulheres em Mato Grosso do Sul.

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