Informações obtidas pela reportagem e um ofício expedido pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) contradizem a versão de que uma mulher de 39 anos teria sido retirada do Hospital Regional de Aquidauana pela própria mãe, sem autorização médica, no dia 22 de julho.
A paciente estava internada na unidade hospitalar e seu caso já era acompanhado pela 1ª Promotoria de Justiça de Anastácio. No dia 21 de julho de 2026, um dia antes da data mencionada na publicação, o Ministério Público encaminhou ao diretor do Hospital Regional de Aquidauana o Ofício nº 0269/2026/PJ/ANC, relacionado à Notícia de Fato nº 02.2026.00105205-0, instaurada para apurar eventual violação de direitos vivenciada pela paciente.
No documento, assinado pelo promotor de Justiça Marcos Martins de Britto, o MP determinou que o hospital suspendesse imediatamente as visitas da mãe da paciente, identificada no ofício como sua acompanhante/genitora.
A medida, conforme consta expressamente no documento, tinha como objetivo “resguardar os direitos da paciente”, diante da situação de vulnerabilidade e negligência noticiadas nos autos, além de preservar a evolução do tratamento médico ao qual ela estava sendo submetida.
O Ministério Público também determinou que o Hospital Regional encaminhasse, no prazo de 15 dias, relatório médico atualizado sobre o quadro de saúde da paciente, acompanhado de cópia integral do prontuário médico e de outras informações consideradas pertinentes para o esclarecimento dos fatos.
Segundo informações repassadas por profissional envolvido no atendimento, a determinação foi cumprida e, após o recebimento do documento, a mãe não permaneceu como acompanhante e não retirou a filha do hospital.
Durante a internação, o acompanhamento da paciente teria passado a ser realizado por profissional da assistência social de Anastácio. Ainda conforme a fonte, a mulher permaneceu hospitalizada até receber alta médica, quando deixou a unidade sob os cuidados da rede de assistência social de Anastácio.
A informação repassada ao hospital era de que, após a alta, seria localizado um familiar que ficaria responsável por acompanhá-la e que a paciente seguiria com esse familiar para Campo Grande.
A fonte também relatou que, durante o período de internação, houve um episódio em que a paciente saiu da unidade, sendo localizada e reconduzida ao hospital. Segundo o relato, ela demonstrava medo da mãe, embora apresentasse, ao mesmo tempo, comportamento de procurá-la.
Dessa forma, a versão de que o tratamento teria sido interrompido porque a mãe retirou a paciente do Hospital Regional de Aquidauana sem autorização médica é contestada pelas informações repassadas à reportagem. Além disso, o documento oficial do Ministério Público comprova que, desde 21 de julho, havia determinação expressa para que as visitas da mãe fossem suspensas.
O ofício do MP, entretanto, não informa a data da alta nem registra quem efetivamente retirou ou acompanhou a paciente na saída do hospital. Essas informações são provenientes do relato da fonte ligada ao atendimento.
A reportagem tentou contato com a profissional do CREAS de Anastácio, indicada como uma das responsáveis pelo acompanhamento do caso, para obter esclarecimentos sobre a alta e o encaminhamento dado à paciente. Em resposta, a profissional informou que, em razão do sigilo que envolve os atendimentos realizados pelo CREAS, não poderia fornecer informações específicas sobre o caso nem sobre eventuais procedimentos adotados pelo serviço. Ela orientou ainda que informações institucionais referentes à atuação da Secretaria Municipal de Assistência Social sejam solicitadas diretamente ao órgão gestor da pasta.

