As mudanças nas regras da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e a nova exigência de registro e emplacamento de ciclomotores, que entram em vigor em 1º de janeiro de 2026, devem provocar impactos diretos no dia a dia de condutores, autoescolas, municípios e órgãos de trânsito em Mato Grosso do Sul.
O tema foi debatido em reunião entre o Detran-MS e o Conselho Estadual de Trânsito (Cetran-MS), que analisaram como aplicar, na prática, a nova legislação federal. Um dos principais pontos levantados foi a falta de prazo de transição e de normas internas claras, o que dificulta a adaptação imediata dos sistemas e dos procedimentos utilizados pelos órgãos executivos de trânsito.
As alterações nas regras da CNH são consideradas as mais significativas das últimas décadas, pois não se limitam à mudança de critérios legais. Elas exigem atualização de sistemas, revisão de fluxos administrativos, novos credenciamentos e adequações operacionais, o que pode impactar prazos e atendimentos aos condutores.
Outro ponto que deve afetar diretamente a população é a regularização dos ciclomotores. A partir de 2026, esses veículos passam a exigir registro, emplacamento e habilitação específica, como a CNH ou a Autorização para Conduzir Ciclomotor (ACC). O problema, segundo os técnicos, é que muitos municípios ainda não possuem regulamentação própria sobre a circulação desses veículos, o que pode gerar dúvidas e insegurança jurídica, principalmente no início da fiscalização.
Enquanto os municípios não editam normas locais, a fiscalização deve se concentrar na documentação obrigatória dos veículos e dos condutores, ficando a responsabilidade do registro e emplacamento a cargo do proprietário do ciclomotor. Já a regulamentação do uso e da circulação continua sendo atribuição das prefeituras.
Durante o debate, também foram apontadas lacunas no novo regramento federal, já encaminhadas à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), que deverá orientar os estados sobre a correta aplicação das novas regras.
Em meio às mudanças, os órgãos de trânsito reforçam que bicicletas e patinetes elétricos não se enquadram como ciclomotores e, portanto, não exigem emplacamento ou registro, devendo apenas obedecer às regras municipais de circulação.
Com a proximidade da entrada em vigor das novas normas, a expectativa é que condutores e municípios precisem se adaptar rapidamente a um novo cenário no trânsito, marcado por mudanças legais, desafios operacionais e maior rigor na regularização de veículos.

