Um homem de 40 anos, que se apresenta como pai de santo, está sendo investigado pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul por tortura, lesão corporal e ameaças durante um suposto ritual religioso realizado em um terreiro localizado na Vila Nhanhá, em Campo Grande. O caso teria ocorrido entre a noite de 16 e a madrugada de 17 de julho, mas só foi denunciado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) na última terça-feira (22).
Sete mulheres, incluindo adolescentes, relataram que foram submetidas a práticas abusivas. Segundo os depoimentos, elas foram obrigadas a permanecer ajoelhadas por mais de uma hora com velas acesas nas mãos, impedidas de se sentar por cerca de duas horas e forçadas a ingerir cachaça. As vítimas também denunciaram queimaduras provocadas por pólvora acesa com um charuto, sem qualquer atendimento médico após os ferimentos.
Durante as agressões, o homem alegava estar incorporado por uma entidade espiritual. Uma das vítimas contou à polícia que “quem tentava sair ou reclamar era ameaçado com punições ainda piores”.
A Federação de Povos de Terreiro de Mato Grosso do Sul se manifestou sobre o caso, afirmando que o acusado não é reconhecido como sacerdote e que o local onde ocorreram os abusos não está vinculado a nenhuma casa tradicional de Candomblé ou Umbanda. A instituição reforçou que os rituais descritos nas denúncias não condizem com as práticas religiosas legítimas.
Além das agressões físicas, o suspeito também é alvo de outro inquérito que apura denúncias de abuso sexual, perseguição e violação de privacidade. Três jovens, com idades entre 18 e 21 anos, afirmaram ter sido assediadas e ameaçadas após deixarem o grupo religioso.
As investigações estão sendo conduzidas pela DEAM e pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA). As vítimas já realizaram exames de corpo de delito, e a polícia avalia a adoção de medidas cautelares contra o investigado, que ainda não foi preso.

