Moradora de Aquidauana, vive um drama que se tornou rotina para milhares de brasileiros que recorrem ao INSS em busca do auxílio-doença: a espera interminável pela realização da perícia médica. Ela deu entrada no pedido no início de julho de 2025 e só conseguiu agendamento para meados de fevereiro de 2026 — uma espera de mais de oito meses.
Enquanto isso ela relata que está sem renda, dependendo da ajuda de parentes e amigos para sobreviver. “A gente paga o INSS por anos para ter amparo quando mais precisa. Mas na hora em que a gente adoece, precisa implorar para ser atendido. É humilhante”, desabafa.
A situação escancara um problema grave: a fila de espera para perícias médicas no INSS tem se tornado um verdadeiro calvário. Segundo relatos, o tempo médio de espera para a realização da perícia gira em torno de oito meses em várias regiões do país. E mesmo após esse prazo, caso o benefício seja concedido, o segurado ainda precisa aguardar mais 45 dias, em média, para começar a receber o pagamento.
Atraso, descaso e escândalos
O drama dos segurados acontece enquanto o Instituto Nacional do Seguro Social mergulha no maior escândalo de fraudes dos últimos tempos. Investigações apontam desvios milionários e concessões indevidas de benefícios, alimentando ainda mais a desconfiança da população e sobrecarregando o sistema.
A estrutura do INSS também enfrenta um colapso. Falta de servidores, déficit de peritos e sucateamento das unidades agravam a situação. Em Anastácio, cidade vizinha a Aquidauana, a unidade do INSS conta com apenas um servidor responsável por todo o atendimento ao público — além do vigilante que cuida da segurança do prédio.
A ausência de médicos peritos é outro gargalo grave, contribuindo diretamente para o acúmulo de pedidos e o aumento das filas. E enquanto isso, o segurado — que contribuiu com esforço para manter a Previdência funcionando — amarga abandono, adoecimento e, muitas vezes, endividamento.
“Falta respeito com o trabalhador”
“Falta médico, falta estrutura e, principalmente, falta respeito com o trabalhador, com o aposentado e o pensionista. É um sistema que deveria amparar, mas está adoecendo ainda mais quem já está vulnerável”, afirma um advogado especialista em direito previdenciário ouvido pela reportagem.
A situação exige resposta urgente do Governo Federal, seja com a contratação de mais peritos, reforço nas equipes e digitalização eficiente de processos. Caso contrário, o INSS — que deveria ser sinônimo de segurança — continuará sendo visto como um labirinto sem fim para quem mais precisa de ajuda.

