Um pescador de 46 anos, Erasmo Luiz Portilho, foi atingido pelo ferrão de um peixe enquanto pescava no rio Aquidauana, em Camisão, na noite de quarta-feira (10). O homem está internado há três dias com o espinho cravado no braço e corre risco de perder o membro. A cirurgia para retirada foi marcada para as 15h desta sexta-feira (12).
Segundo o filho, Kauan Nantes Portilho, de 18 anos, cantor e compositor, o pai perdeu muito sangue no local do acidente e só sobreviveu porque recebeu atendimento rápido. “Já estava bastante escuro onde está o ferrão. Os médicos disseram que quanto mais demora, maior é o risco de perder o braço”, relatou.
Antes de ser transferido para a Santa Casa de Campo Grande, Erasmo foi atendido no Hospital Regional de Aquidauana e encaminhado em vaga zero para a Capital. “Faz três dias com o ferrão do pintado no braço. Agora diz que vai operar às 15h. Estamos na expectativa. Mesmo com a operação, vamos precisar esperar abrir a região para ver se não afetou nenhum nervo e se ele vai conseguir voltar ao normal. Como ele perdeu muito sangue no local, se demorasse, ele nem chegava. Praticamente nasceu de novo”, contou o filho.
Acidentes com pescadores
O doutor em Ecologia José Sabino explica que acidentes como o de Erasmo são mais comuns do que se imagina. Até mesmo pescadores amadores estão sujeitos a lesões que vão desde pequenas lacerações até ferimentos graves. O problema é ainda maior entre pescadores profissionais, que podem ficar meses sem trabalhar em razão dos acidentes.
Segundo pesquisa feita por Sabino e sua equipe no Pantanal, com 200 pescadores profissionais, todos relataram ter sofrido algum tipo de acidente nos cinco anos anteriores ao estudo. Os casos mais frequentes envolvem espinhos de bagres e mordidas de traíras ou piranhas durante o manuseio. As situações mais graves ocorrem com ferrões de arraias, que possuem glândulas de veneno capazes de provocar necrose e afastar o trabalhador da atividade por até quatro meses.
Para reduzir riscos, o especialista recomenda medidas como usar alicates apropriados para manusear peixes e colocar o pescado em recipientes (baldes ou samburás) logo após a captura. De acordo com ele, cerca de 80% dos acidentes ocorrem por descuido, principalmente ao pisar em ferrões ou ao manipular os animais sem proteção. Nos casos de acidentes com arraias, a orientação é lavar a área atingida, mergulhar em água aquecida (com cuidado para evitar queimaduras) e procurar atendimento médico imediatamente.
Situação do paciente
Em nota, a Santa Casa informou que Erasmo foi atendido na manhã de quinta-feira (11), devidamente avaliado, internado e medicado com analgésicos e antibióticos. O hospital esclareceu que a cirurgia não foi classificada como emergência, pois não havia risco imediato de morte, mas, diante da gravidade, o procedimento foi agendado para esta sexta-feira (12). A unidade destacou que, devido à superlotação, era necessário aguardar a liberação de sala cirúrgica. O paciente segue estável, monitorado e sob cuidados médicos.

