O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) adiou o julgamento dos recursos apresentados pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) que pedem a cassação dos diplomas do prefeito de Iguatemi, Lídio Ledesma, da vice-prefeita Patrícia Derenusson Nelli Margatto Nunes e de vereadores eleitos no município. A decisão foi tomada nesta terça-feira (28), após o desembargador Sérgio Martins solicitar vista do processo.
Com isso, a análise do caso foi remarcada para o próximo dia 5 de agosto. O Ministério Público sustenta que os investigados teriam sido beneficiados por um esquema de distribuição irregular de combustível durante a campanha eleitoral de 2024.
Segundo a Procuradoria Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul, cerca de 8 mil litros de combustível teriam sido distribuídos a eleitores por meio de um suposto esquema de caixa dois, sem registro na prestação de contas da campanha. O órgão afirma que a prática configurou gasto ilícito de recursos e comprometeu a igualdade da disputa eleitoral.
Entre os alvos dos recursos estão o prefeito Lídio Ledesma, a vice-prefeita Patrícia Derenusson Nelli Margatto Nunes, além dos vereadores Agnaldo dos Santos Souza, conhecido como Agnaldo Zorba, José Carlos dos Santos, o Carlinhos Magro, e Márcio José de Oliveira, conhecido como Professor Márcio.
De acordo com as investigações, o esquema funcionava por meio da liberação de abastecimentos para apoiadores políticos em um posto de combustível da cidade. A Polícia Federal identificou centenas de autorizações emitidas entre agosto e outubro de 2024 para veículos adesivados de campanha.
Ainda conforme a Procuradoria Regional Eleitoral, mais de 5 mil litros teriam sido liberados por Clóvis Gomes dos Santos, que ocupava um cargo comissionado na Prefeitura de Iguatemi e teria centralizado 343 autorizações de abastecimento. A investigação também aponta que a vice-prefeita Patrícia Nunes teria autorizado, por mensagens de WhatsApp, o abastecimento de pelo menos 32 veículos de apoiadores.
O vereador Clevson dos Santos Gomes, conhecido como Clevson Pangaré, aparece entre os alvos iniciais das investigações, mas os recursos que serão analisados pelo TRE-MS tratam especificamente dos candidatos apontados como beneficiários do suposto esquema.
As defesas dos investigados negam qualquer irregularidade. Entre os argumentos apresentados estão a ausência de provas diretas contra os candidatos, questionamentos sobre a validade de parte das evidências utilizadas na investigação e a alegação de que os valores apontados seriam insuficientes para comprometer a legitimidade das eleições.
Os investigados também sustentam que eventuais condutas praticadas por terceiros não podem ser automaticamente atribuídas aos candidatos. Até que haja uma decisão definitiva da Justiça Eleitoral, todos permanecem nos cargos para os quais foram eleitos.

