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Professor é preso após mãe denunciar suspeita de abuso contra adolescente

M.R.S., de 55 anos, foi preso preventivamente neste domingo (16); investigação começou após mãe de adolescente de 13 anos procurar a Polícia Civil em Aquidauana

Um homem de 55 anos, identificado pelas iniciais M.R.S., foi preso preventivamente na tarde deste domingo (16), em um hotel no município de Anastácio (MS), durante uma investigação conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Aquidauana por suspeita de estupro de vulnerável.

O investigado é professor da rede estadual de ensino em Aquidauana. A prisão preventiva foi solicitada pela Polícia Civil e posteriormente deferida pelo Poder Judiciário após diligências realizadas no decorrer da investigação.

A vítima é uma adolescente de 13 anos, identificada nesta reportagem apenas pelas iniciais H.P.V., para preservação de sua identidade.

A audiência de custódia de M.R.S. está marcada para esta segunda-feira (17), às 9h.

Investigação começou após mãe procurar a polícia

A investigação teve início na sexta-feira (14), depois que a mãe de H.P.V. procurou as autoridades e relatou ter tomado conhecimento de possíveis condutas de natureza sexual atribuídas ao investigado contra a adolescente no ambiente familiar.

O boletim de ocorrência foi registrado na noite de 14 de agosto, na 1ª Delegacia de Polícia de Aquidauana. No documento, os fatos comunicados foram inicialmente classificados como fornecimento de bebida alcoólica a criança ou adolescente e estupro de vulnerável.

Conforme o registro policial, a mãe estava fora de Aquidauana quando recebeu uma mensagem da filha perguntando se poderia conversar com ela. Durante uma ligação, H.P.V. teria pedido inicialmente que a mãe acreditasse nela e, em seguida, relatado uma situação envolvendo M.R.S.

Segundo o BO, a adolescente contou que o investigado teria lhe abraçado e manifestado intenção de beijá-la enquanto ela estivesse usando pijama.

Ao retornar à cidade, a mãe reuniu integrantes da família e confrontou M.R.S. sobre as informações recebidas. A conversa foi registrada por meio de uma gravação ambiental feita com um aparelho celular e posteriormente entregue à Polícia Civil.

De acordo com o boletim, durante os questionamentos, o investigado teria reconhecido a ocorrência da situação e utilizado expressões classificando sua própria conduta como uma “falha de caráter” e um “desvio de caráter”.

Em outro trecho do registro, a mãe afirma que M.R.S. teria utilizado a expressão “fiz mesmo” durante a conversa gravada. O material foi apresentado à autoridade policial para análise e adoção das providências cabíveis.

Segundo informações repassadas à reportagem sobre o conteúdo do áudio, M.R.S. também teria admitido que pediu para H.P.V. vestir o pijama.

Bebida alcoólica também é investigada

A Polícia Civil apura ainda informações de que M.R.S. teria fornecido bebida alcoólica à adolescente, circunstância que passou a integrar o conjunto de fatos investigados.

Conforme o relato da mãe registrado no BO, uma integrante da família contou que o suspeito teria fornecido bebidas do tipo “ice” a ela e a H.P.V., sendo três garrafas para cada uma. A mãe declarou que proibia o consumo de álcool pelas filhas e que M.R.S. tinha conhecimento dessa orientação.

O documento relata ainda que, em outra ocasião, o investigado teria passado por uma conveniência e comprado outra bebida do tipo “ice”, de sabor diferente, destinada a H.P.V., que permanecia sozinha na residência.

Segundo o relato, M.R.S. teria chamado a adolescente para se sentar ao seu lado sob o argumento de que queria contar uma história. H.P.V. teria se sentado próximo a ele e consumido a bebida.

Duas garrafas vazias de bebida alcoólica da marca Ice Cabaré, de 275 ml, foram relacionadas no boletim de ocorrência como objetos vinculados ao caso.

Segundo informações repassadas à reportagem sobre o conteúdo da gravação entregue à polícia, M.R.S. também teria admitido ter comprado e fornecido a bebida à menor.

Adolescente relatou abraço e pedido para vestir pijama

O boletim apresenta outros detalhes do relato atribuído a H.P.V.

Segundo a mãe informou à Polícia Civil, a adolescente teria contado que, na manhã dos fatos, M.R.S. a abraçou, segurou sua cintura e apertou seu corpo, dizendo que havia tido um sonho no qual estaria beijando a menina enquanto ela usava pijama.

Ainda conforme o registro policial, o investigado teria pedido e insistido para que a adolescente vestisse o pijama.

H.P.V. teria relatado à mãe que ficou sem reação diante da situação e não conseguiu se afastar naquele momento em razão do estado de surpresa.

Na sequência, segundo o BO, M.R.S. teria perguntado onde seria o beijo mencionado no suposto sonho, fazendo referências ao corpo da adolescente.

Depois do episódio, o investigado teria pedido desculpas e solicitado que H.P.V. não contasse o ocorrido a ninguém, afirmando que aquilo “morreria ali”, que não queria perder a confiança dela e que gostava muito dela.

Outros relatos passaram a ser apurados

Após a revelação feita por H.P.V., outras informações envolvendo o investigado chegaram ao conhecimento da mãe e passaram a integrar a apuração.

Conforme o boletim, uma integrante da família teria relatado que, em determinadas ocasiões, presenciou M.R.S. mexendo na adolescente durante a noite enquanto outras pessoas dormiam na sala, sob a justificativa de que estaria apenas cobrindo a menina.

O documento também registra que outra jovem da família teria posteriormente relatado uma situação envolvendo o mesmo investigado e afirmado ter presenciado supostas condutas inadequadas dele em relação a H.P.V. em outras oportunidades.

Esses relatos ainda deverão ser esclarecidos durante a investigação.

A mãe informou ainda que decidiu não continuar fazendo perguntas à adolescente diante da possibilidade de realização de depoimento especial, evitando interferir ou influenciar o relato da menor.

Polícia fez buscas e suspeito foi encontrado em hotel

Após o início da investigação, policiais realizaram diligências em diferentes endereços relacionados a M.R.S., mas não conseguiram localizá-lo inicialmente.

Diante dos elementos reunidos, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva do investigado. O pedido foi analisado e deferido pelo Poder Judiciário.

Com a continuidade das buscas, investigadores da 1ª Delegacia de Polícia de Aquidauana localizaram M.R.S. no interior de um hotel em Anastácio, na tarde deste domingo (16).

No local, foi cumprido o mandado de prisão preventiva. Após a captura, o professor foi conduzido para os procedimentos legais e permaneceu à disposição da Justiça.

Audiência de custódia nesta segunda-feira

A audiência de custódia de M.R.S. está prevista para as 9h desta segunda-feira (17). Na ocasião, o Poder Judiciário deverá analisar a prisão e a situação cautelar do investigado.

As investigações continuam sob responsabilidade da Polícia Civil para esclarecer todas as circunstâncias dos fatos, incluindo os relatos apresentados pela família, o suposto fornecimento de bebida alcoólica e o conteúdo da gravação entregue pela mãe.

M.R.S. é investigado e não há, até o momento, condenação pelos fatos relatados. A eventual responsabilidade criminal será definida no decorrer do processo, com garantia do contraditório e da ampla defesa.

Por envolver uma adolescente, a reportagem preserva sua identidade, utilizando apenas as iniciais H.P.V. O investigado também é identificado somente pelas iniciais M.R.S., evitando a divulgação de informações que possam contribuir para a identificação indireta da vítima.

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