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Projeto NAVIO inicia nova etapa amanhã no Pantanal

A partir de amanhã, 1º de dezembro, o Projeto NAVIO – Navegação Ampliada para Vigilância Intensiva e Otimizada – inicia uma nova etapa de trabalho no Pantanal, ampliando o cuidado em saúde às comunidades ribeirinhas do Tramo Norte do Rio Paraguai. A iniciativa, coordenada pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES), representa um modelo inovador que une assistência, vigilância laboratorial, pesquisa científica e educação em saúde em uma região onde o acesso a serviços básicos sempre foi um grande desafio.

O estudo é coordenado pela Fiocruz Minas, sob liderança do pesquisador Dr. Luiz Alcântara, e integra projetos internacionais sobre mudanças climáticas e doenças, como o Consórcio CLIMADE (Climate Amplified Diseases and Epidemics). A ação é financiada por instituições como NIH (EUA), OPAS/OMS, e CNPq, fortalecendo a cooperação científica global.

A chegada do projeto a Mato Grosso do Sul ocorreu após articulações técnicas entre Alcântara e a SES, com adesão também da Secretaria de Saúde de Mato Grosso e instituições de pesquisa nacionais e internacionais. Essa articulação permitiu ao Governo do Estado consolidar a parceria com a Marinha do Brasil, firmar o termo de cooperação entre os estados e assegurar condições para as etapas de campo e laboratório.

Enquanto os insumos laboratoriais são fornecidos pelo Ministério da Saúde, o Lacen/MS garante a execução contínua das análises. A Marinha atua diretamente no atendimento às comunidades ribeirinhas, enquanto a SES mantém o cuidado integral, fornecendo medicamentos, vacinas e suporte assistencial – estrutura fundamental para o avanço do estudo em todo o território pantaneiro.

A Coordenadoria de Saúde Única, dentro da SES, integra as áreas responsáveis pela execução das ações: Odontologia, Lacen, Imunização, Telessaúde e Assistência Farmacêutica. Essa articulação garante fluidez entre atendimentos, coletas, análises e orientações, oferecendo suporte contínuo às equipes e à população.


Resultados da segunda expedição (23 de março a 14 de abril de 2025)

Mais de 460 moradores foram atendidos nas comunidades Barra de São Lourenço, Fazenda Amolar, Porto São Pedro, Paraguai Mirim, Domingos Ramos e em áreas urbanas de Corumbá.
Os serviços incluíram consultas médicas e odontológicas, vacinação, exames laboratoriais, testagens rápidas e investigação de doenças infecciosas.

Foram identificados casos de:

O pesquisador Luiz Alcântara reforçou o caráter inovador da ação:
“O Projeto NAVIO representa um modelo de vigilância que o mundo precisa conhecer. Aqui no Pantanal, conseguimos agregar saúde em um dos biomas mais sensíveis às mudanças climáticas. Cada amostra coletada e cada diálogo com a comunidade fortalece nossa capacidade de prever e responder a doenças emergentes.”


Tecnologia e inovação a serviço da saúde

A expedição incorporou modelos de inteligência artificial para interpretação de dados clínicos em tempo real.
O uso da plataforma REDCap garantiu registros seguros e imediatos, ampliando a precisão das análises epidemiológicas.


Educação em saúde e fortalecimento comunitário

Foram promovidas rodas de conversa sobre:

O projeto reforçou a distribuição de filtros de barro, ampliando a segurança no consumo de água, após análises que detectaram contaminantes.

Moradores destacaram a importância da ação:

“Quando vocês chegam é um alívio. Recebemos atendimento, fazemos exames e aprendemos sobre saúde e meio ambiente. Isso muda nossa realidade”, disse Maria Cristina Pereira, de Porto Morrinho.

“Sempre que o projeto vem, nos sentimos cuidados. Aqui não temos atendimento diário. Isso faz toda diferença”, relatou Deucilines Martins, de Forte Coimbra.


Principais ações realizadas

Assistência à saúde

Vigilância laboratorial

Educação em saúde

Distribuição de filtros de água

Garantindo maior segurança no consumo e prevenção de doenças hídricas.


Equidade territorial e cuidado contínuo

O Projeto NAVIO é parte da estratégia de regionalização da saúde em Mato Grosso do Sul, garantindo atendimento em territórios isolados e fortalecendo vínculos com populações historicamente desassistidas.

Com a nova etapa iniciando no dia 1º de dezembro, o Estado reafirma seu compromisso com a saúde integral, com a ciência e com a proteção das comunidades que vivem no coração do Pantanal.

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