Quem circula pelo Centro de Aquidauana já se acostumou com uma cena que, infelizmente, se tornou rotina: motoristas param em plena via, ligam o pisca-alerta e, por alguns minutos, transformam ruas movimentadas em verdadeiros gargalos no trânsito.
Em vias de grande circulação, como as avenidas e ruas centrais da cidade, basta um veículo estacionado em fila dupla ou ocupando parte da pista para comprometer o fluxo de quem passa. O motorista desce rapidamente para ir a uma loja, banco, farmácia ou comércio, enquanto os demais condutores precisam esperar, desviar ou enfrentar congestionamentos desnecessários.
Mas ligar o pisca-alerta não transforma uma parada irregular em uma parada permitida.
O Código de Trânsito Brasileiro é claro ao estabelecer que o equipamento deve ser utilizado apenas para sinalizar situações de emergência ou advertência. Ele não autoriza o motorista a parar em fila dupla, bloquear cruzamentos, ocupar a faixa de rolamento ou interromper o fluxo de veículos.
O problema vai muito além de alguns segundos de espera. Quando um carro interrompe a circulação em uma das principais vias do Centro, toda a dinâmica do trânsito é afetada. Motoristas são obrigados a mudar de faixa de forma repentina, motociclistas passam a disputar espaços mais estreitos e o risco de acidentes aumenta.
Em uma cidade como Aquidauana, onde muitas ruas centrais possuem apenas uma faixa de circulação em cada sentido e grande movimento comercial ao longo do dia, esse comportamento gera impactos ainda maiores, especialmente nos horários de pico.
Também é comum ver veículos parados sobre esquinas, próximos às faixas de pedestres ou em frente a estabelecimentos comerciais apenas porque o condutor acredita que será “só um minutinho”. No entanto, esse pequeno intervalo pode ser suficiente para causar retenções e colocar em risco a segurança de outros usuários da via.
A solução passa pela conscientização dos próprios motoristas e também pela fiscalização. Respeitar os locais permitidos para estacionamento e realizar embarques, desembarques ou pequenas paradas sem obstruir a via contribui para um trânsito mais organizado e seguro para todos.
O trânsito é um espaço coletivo, onde cada condutor tem direitos, mas também responsabilidades. Quando alguém decide parar onde não é permitido apenas porque acionou o pisca-alerta, transfere o transtorno para dezenas de outras pessoas.
No fim das contas, o pisca-alerta serve para sinalizar uma situação excepcional. Ele acende as luzes do veículo, mas não concede autorização para desrespeitar as regras de trânsito.

