O aumento da contribuição cobrada de cônjuges de beneficiários da Cassems gerou forte repercussão entre servidores públicos estaduais e entidades sindicais em Mato Grosso do Sul. O reajuste, que elevou a cobrança mensal de R$ 35 para R$ 450, representa um aumento superior a 1.100% e reacendeu críticas sobre a gestão financeira do plano de saúde.
A mudança passa a valer já na competência de maio de 2026, com vencimento em junho. Segundo a Cassems, o reajuste foi adotado após estudos técnicos apontarem déficit milionário nas despesas relacionadas aos dependentes cônjuges.
Dados divulgados pela própria operadora mostram que, nos últimos 12 meses, o grupo arrecadou cerca de R$ 61 milhões, enquanto os gastos assistenciais ultrapassaram R$ 250 milhões — um déficit próximo de R$ 189 milhões. Conforme a instituição, para cada R$ 1 arrecadado com os dependentes, aproximadamente R$ 4 foram gastos em atendimentos, exames, cirurgias e internações.
Apesar da justificativa financeira apresentada pela operadora, o impacto do reajuste provocou indignação entre servidores, principalmente pelo aumento repentino e pelo peso da nova cobrança no orçamento das famílias. Nas redes sociais e em grupos de servidores, muitos beneficiários classificaram a medida como “abusiva”, “desumana” e “inviável” para quem depende do plano.
A decisão também ampliou a pressão sobre o Governo do Estado, já que sindicatos e associações passaram a cobrar maior participação financeira do poder público no custeio da assistência médica dos servidores estaduais.
A FETEMS informou que vem defendendo uma contribuição maior do Estado para evitar que os custos sejam transferidos diretamente aos servidores, especialmente os de menor renda.
Já a Associação e Centro Social dos Militares Estaduais e Pensionistas encaminhou pedido ao governador Eduardo Riedel solicitando medidas para amenizar os impactos financeiros causados pelo reajuste.
Outro ponto que passou a ser questionado é a comparação com outros sistemas de assistência pública à saúde. No Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG), por exemplo, a inclusão de cônjuges não ocorre por taxa fixa, mas sim por percentual proporcional ao salário do servidor.
A repercussão também deve chegar à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. O deputado estadual Pedro Kemp informou que o tema será debatido pela bancada do PT nos próximos dias.
Embora a Cassems afirme que o reajuste é necessário para garantir a sustentabilidade do plano e sustente que ainda possui custo médio inferior ao de planos privados, o aumento abrupto abriu um novo capítulo de desgaste entre a operadora e os servidores estaduais, que agora cobram mais transparência, diálogo e participação do governo na manutenção do sistema de saúde.

