Os três senadores de Mato Grosso do Sul — Soraya Thronicke (Podemos), Tereza Cristina (PP) e Nelsinho Trad (PSD) — assinaram o pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida integra uma ofensiva da oposição, que acusa o magistrado de perseguição política e de extrapolar os limites constitucionais, especialmente em decisões que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e parlamentares aliados.
A iniciativa, liderada pelo senador Carlos Viana, exige também a votação do chamado “pacote da paz”, que inclui o projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, quando sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas em Brasília. O pedido de impeachment precisa de 41 assinaturas para tramitar, mas só avança com a anuência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
O senador Nelsinho Trad defendeu a medida alegando que os conflitos entre poderes precisam ser enfrentados: “Quando o abuso de autoridade ultrapassa a razão, instala-se a desconfiança nas instituições”, disse. Tereza Cristina afirmou que o objetivo é a pacificação política. Já Soraya Thronicke criticou diretamente as decisões de Moraes que, segundo ela, ferem as prerrogativas parlamentares.
Enquanto isso, o clima também é de tensão na Câmara dos Deputados, onde parlamentares da oposição paralisaram os trabalhos legislativos exigindo a votação da anistia a Bolsonaro. A crise institucional ganhou contornos mais dramáticos com um episódio de empurra-empurra envolvendo a deputada sul-mato-grossense Camila Jara (PT) e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), na noite de terça-feira (6).
Durante a retomada dos trabalhos pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), Nikolas foi empurrado por Camila e caiu, enquanto ocupava a mesa diretora junto com outros aliados de Bolsonaro, impedindo a condução da sessão. As imagens da cena viralizaram nas redes sociais e geraram reações acaloradas.
Em nota, Camila Jara negou ter agido com violência, afirmando que o ocorrido foi apenas um esbarrão em meio ao tumulto. A deputada destacou que tem 1,60m, pesa 49 kg e está em tratamento contra o câncer. “A acusação de que eu teria nocauteado um parlamentar com um soco é absurda”, afirmou.
Dois deputados de MS, Rodolfo Nogueira e Marcos Pollon, estiveram entre os principais nomes da obstrução. Ambos participaram ativamente da ocupação da mesa diretora, ao lado de Nikolas Ferreira e outros parlamentares aliados do ex-presidente.
A crise institucional, intensificada pela disputa entre Legislativo e Judiciário, e pela paralisação das sessões, preocupa parlamentares e líderes partidários. O presidente da Câmara, até o momento, não se manifestou sobre o episódio. Já cresce no Congresso a expectativa de abertura de processos disciplinares e de um debate mais amplo sobre os limites da atuação dos poderes da República.

