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SES alerta sobre riscos de canetas emagrecedoras irregulares

Com o aumento dos casos de obesidade e a circulação irregular de canetas emagrecedoras — muitas vezes trazidas clandestinamente pela região de fronteira — a Secretaria de Estado de Saúde (SES) reforça que o tratamento deve seguir diretrizes clínicas reconhecidas. O uso de medicamentos sem registro, manipulados ou adquiridos em redes sociais e clínicas não autorizadas pode trazer riscos graves à saúde.

Segundo a Coordenação de Vigilância Sanitária Estadual (Cvisa), versões clandestinas do produto podem conter impurezas, toxinas e até bactérias, já que não passam por nenhum tipo de controle de qualidade. Reações adversas, intoxicações graves e até morte são riscos associados ao consumo dessas substâncias.

“Essas canetas de medicamentos importados sem registro na Anvisa não têm qualquer garantia de eficácia e segurança. É fundamental que a população busque orientação médica e evite medicamentos de origem duvidosa. A prevenção da obesidade deve estar baseada em informação, acompanhamento e hábitos saudáveis, não em promessas rápidas”, afirmou Alexandre Tutes, farmacêutico da Vigilância Sanitária Estadual.

O médico Dr. Ricardo Carpejani, de Aquidauana, também reforça o alerta diante do aumento da procura e do uso inadequado na região.

“Tem chegado ao consultório muitos pacientes com efeitos colaterais importantes após usarem canetas compradas pela internet ou trazidas ilegalmente. Esses produtos podem provocar desmaios, arritmias, inflamações e alterações metabólicas perigosas. Não existe emagrecimento seguro sem acompanhamento médico. O barato pode sair caro — e colocar vidas em risco”, destacou o médico.

A SES reforça que denúncias de comercialização irregular devem ser feitas diretamente à Vigilância Sanitária Estadual.

Obesidade em crescimento e necessidade de acompanhamento

A obesidade é uma das condições crônicas mais prevalentes acompanhadas pela Atenção Primária à Saúde (APS) em Mato Grosso do Sul. O excesso de peso está ligado a doenças como diabetes, hipertensão, dislipidemias e alguns tipos de câncer.

Dados do Ministério da Saúde mostram crescimento expressivo da obesidade no país: um aumento de 72% em 13 anos, passando de 11,8% em 2006 para 24,3% em 2023.
Em Mato Grosso do Sul, dados do SISVAN (2024) indicam que, entre 432.773 pessoas avaliadas:

Para fortalecer a rede de cuidado, a SES publicou, em 2024, a Linha de Cuidado do Sobrepeso e Obesidade (LCSO), que orienta processos, fluxos e ações integradas voltadas à prevenção, diagnóstico e tratamento da obesidade. A LCSO vem sendo implementada de forma gradual no Estado, articulando diferentes níveis de atenção e oferecendo apoio técnico às equipes de saúde.

O Ministério da Saúde informou que as canetas emagrecedoras ainda não foram incorporadas à rede pública devido ao elevado impacto financeiro e à necessidade de mais estudos sobre custo-benefício.

Atenção e orientações ao público

A SES reforça que o tratamento da obesidade deve ser conduzido exclusivamente por profissionais habilitados, seguindo protocolos de segurança e acompanhamento contínuo. Medicamentos não registrados na Anvisa, manipulados irregularmente ou vendidos sem prescrição são considerados ilegais e colocam a saúde em risco.

A rede pública desenvolve ações contínuas de promoção da alimentação adequada e saudável, educação alimentar, incentivo ao consumo de alimentos in natura e criação de ambientes que favoreçam escolhas mais saudáveis.

A orientação é clara: procure atendimento médico, não use produtos clandestinos e não arrisque sua saúde em promessas de emagrecimento rápido.

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