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Trafegabilidade de veículos pesados coloca em risco ‘Estrada Parque’

Na última semana, um motorista de 33 anos precisou ser resgatado pelo Corpo de Bombeiros após tombar a carreta que conduzia na rodovia MS-450, no distrito de Palmeiras, em Dois Irmãos do Buriti. O veículo estava carregado de carvão e, segundo informações preliminares, teria perdido o controle ao tentar contornar uma curva acentuada.Com a cabine severamente danificada e o condutor em estado de pânico, os bombeiros utilizaram técnicas de desencarceramento para retirá-lo com segurança. Apesar do susto, o motorista foi encaminhado sem ferimentos graves ao pronto-socorro do Hospital de Aquidauana.A ocorrência reacende o alerta sobre o uso indevido da MS-450 por veículos de carga pesada, especialmente carretas transportando carvão e celulose. Embora não projetada para esse tipo de tráfego, a rodovia tem sido frequentemente utilizada como rota alternativa à BR-262 — muitas vezes, segundo relatos, para evitar a fiscalização ambiental e tributária.Com pistas estreitas, curvas acentuadas, ladeiras e trechos com precipícios, a MS-450 representa um risco real quando submetida ao tráfego intenso de caminhões de grande porte. O uso contínuo por veículos pesados tem acelerado a deterioração do pavimento, comprometendo a segurança de motoristas de carros de passeio e demais usuários da via.
Exemplo da fragilidade no controleDurante a administração passada, a Prefeitura de Aquidauana tentou impedir o acesso de veículos com cargas muito altas ao perímetro urbano, instalando um limitador de altura na entrada da cidade. A medida visava coibir a circulação de carretas, principalmente as carregadas com carvão, que frequentemente arrebentavam cabos de telefonia e internet, causando prejuízos às empresas e transtornos aos moradores.Contudo, poucos dias após a instalação, o limitador foi danificado por um caminhão com carga acima da altura permitida. Mesmo após os reparos, o dispositivo voltou a ser arrancado pela força de outra carreta e acabou sendo removido definitivamente. Sem o apoio efetivo das forças de fiscalização nas rodovias estaduais e federais, a medida se mostrou ineficaz frente ao desrespeito recorrente às normas de circulação.

Rodovia sob pressão crescente
A MS-450, que também integra a Estrada-Parque de Piraputanga — um dos cenários naturais mais belos de Mato Grosso do Sul, com grande importância turística e ambiental — passou a ser rota permanente para o transporte de madeira.
A empresa Suzano, responsável pela nova fábrica de celulose em Ribas do Rio Pardo, firmou contrato com uma fazenda localizada em Dois Irmãos do Buriti, com acesso direto pela Estrada-Parque. O trajeto inclui 12 quilômetros da MS-450, por onde transitam dezenas de caminhões por dia, cada um com cerca de 70 toneladas, em direção à BR-262.
Esse fluxo intenso de veículos pesados atravessa distritos como Palmeiras, Piraputanga e Camisão — todos com potencial turístico consolidado. O aumento da movimentação tem gerado preocupação entre moradores e ambientalistas, tanto pela segurança viária quanto pelos impactos negativos à fauna, ao meio ambiente e à qualidade de vida das comunidades locais.

Área de proteção ambiental ameaçada
A Estrada-Parque de Piraputanga possui 42 quilômetros de extensão e está inserida em uma Área de Proteção Ambiental (APA) criada há 24 anos. Para o biólogo Milton Longo, o tráfego constante de carretas representa uma séria ameaça à fauna local e compromete os objetivos de preservação e desenvolvimento sustentável da região, voltados especialmente ao turismo ecológico e à valorização do patrimônio natural.
Urgência de providências
Diante desse cenário, especialistas e lideranças comunitárias defendem medidas imediatas. É necessário reforçar a fiscalização nas rodovias, implantar barreiras físicas eficazes e estabelecer ações conjuntas entre os municípios, o governo estadual e os órgãos ambientais.
A preservação da integridade da MS-450 e da Estrada-Parque de Piraputanga depende de políticas públicas firmes, que promovam o uso responsável da malha viária, respeitem os limites da infraestrutura local e priorizem a segurança da população — além da proteção ao meio ambiente.

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