O tráfego diário de 20 tritrens carregados de eucalipto pela MS-450, conhecida como Estrada-Parque Piraputanga, tem sido alvo de intensa controvérsia ambiental no estado de Mato Grosso do Sul. Ambientalistas alegam que a situação poderia ser evitada, desencadeando até mesmo um racha no Conselho Consultivo da Área de Proteção Ambiental Estrada-Parque Piraputanga.
Segundo esses defensores do meio ambiente, a indústria Suzano, responsável pelo transporte dos tritrens, teria à disposição uma rota alternativa. No entanto, optou-se pelo uso da estrada turística sob a justificativa de “economizar tempo”.
Os tritrens, carregados com eucalipto, ocuparão um trecho de 11 quilômetros da estrada destinada ao usufruto contemplativo da natureza por um período mínimo de três anos. Cada tritrem tem capacidade para transportar até 74 toneladas de carga bruta.
De acordo com um dos ambientalistas consultados, a fazenda de onde é feita a extração de eucalipto, conhecida como Lageado, tem acesso tanto por Terenos quanto por Dois Irmãos do Buriti, antes mesmo de ser adquirida pela Suzano. No entanto, a opção pelo uso da Estrada-Parque Piraputanga foi uma decisão da empresa, alegadamente visando economia de tempo.
A situação tem gerado preocupações entre os moradores locais e ativistas ambientais. Apesar de uma reunião ter sido realizada com a empresa, durante a qual foram apresentados documentos e garantias, as preocupações persistem.
A denúncia do SOS Pantanal e a renúncia de membros do Conselho Consultivo da Área de Proteção Ambiental evidenciam a insatisfação com o aumento do tráfego de caminhões na região, embora não tenham sido observadas mudanças significativas no processo de autorização.
O plano de manejo para a região já estava pronto quando a Suzano iniciou suas atividades, pegando a comunidade de surpresa. Ambientalistas alertam para os impactos negativos nos distritos afetados, como Paineiras, Piraputanga e Camisão, destacando os problemas para o turismo e a biodiversidade local.
Outra preocupação levantada é o estímulo ao mau comportamento dos motoristas, devido à presença dos tritrens na estrada turística. A falta de pontos de ultrapassagem adequados e a entrada dos veículos na BR-262 têm sido apontadas como questões problemáticas.
Questionada sobre o problema , a Suzano afirma possuir todas as autorizações legais necessárias e implementou medidas para mitigar os impactos, como melhorias na sinalização, controle de frota e treinamento dos motoristas.
A situação continua sendo acompanhada pelas autoridades ambientais e pelo Ministério Público, enquanto a comunidade aguarda respostas e soluções para conciliar interesses econômicos e ambientais na região.

