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Uma luta solitária contra o descaso

O calvário começou em agosto de 2024, quando Magali ainda morava em São Gabriel do Oeste. Ela começou a emagrecer rapidamente e sentir dores intensas na região do rim, mas, mesmo após várias consultas, nenhum médico identificou a causa.

Sem respostas, ela voltou para Campo Grande, em busca de um diagnóstico mais preciso. Após diversos exames, veio o resultado devastador: um cálculo renal de 8,5 centímetros havia comprometido o rim esquerdo, provocando falência total do órgão.

Em março deste ano, o quadro se agravou. Magali chegou à unidade de pronto atendimento com pressão zerada, foi intubada imediatamente e passou dez dias em coma. Sobreviveu — contrariando as previsões médicas —, mas o rim necrosado permaneceu no corpo, provocando infecções recorrentes que ameaçam sua vida a qualquer momento.

Greve, falta de vagas e indiferença

Mesmo após o alerta dos médicos, Magali não consegue vaga para a cirurgia. A Santa Casa de Campo Grande, onde ela é acompanhada, reconheceu a urgência da nefrectomia, mas a greve dos funcionários e a falta de leitos levaram o hospital a dispensá-la, deixando-a sob a regulação do CISREG, sistema que coordena as vagas do SUS.

Desde então, ela espera — sem previsão, sem respostas, sem tratamento.

“Sou eu que corro atrás de tudo. Eu quero viver, eu não quero morrer”, diz Magali, entre lágrimas.

Sem condições financeiras para custear o procedimento, recorreu à Defensoria Pública, mas o processo se arrasta em meio à burocracia e exigência de orçamentos hospitalares. Cada dia de espera representa risco real de morte.

Sequelas e força para sobreviver

Além das dores constantes e infecções, Magali carrega sequelas neurológicas do período em coma. Ela passou cinco meses em cadeira de rodas e hoje só consegue caminhar com muletas. Ainda assim, insiste em buscar ajuda sozinha, enfrentando longas filas e atendimentos precários.

“Eu emagreci 40 quilos, continuo muito fraca, mas quero lutar pela minha vida”, afirma, emocionada.

A omissão que custa vidas

O caso de Magali expõe o colapso silencioso da saúde pública em Mato Grosso do Sul: pacientes em estado crítico sendo deixados à própria sorte, hospitais sem estrutura e um sistema que transforma urgência médica em espera burocrática.

Enquanto o Estado falha em garantir um direito básico — o de viver —, cidadãos precisam pedir socorro em vaquinhas online.

Vaquinha pela vida

Sem alternativas, Magali criou uma vaquinha virtual para tentar arrecadar o valor necessário para custear a cirurgia particular. O objetivo inicial era R$ 30 mil, reduzido depois para R$ 25 mil, na tentativa de tornar o sonho possível. Até o momento, menos de R$ 1.200 foram arrecadados.

“Se eu conseguir R$ 20 mil, já fico feliz. Só quero poder operar e continuar vivendo”, diz Magali.

Enquanto a ajuda não chega, o tempo corre — e o Estado segue em silêncio.

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