A chegada da chilena Arauco consolida o Mato Grosso do Sul como um dos maiores polos mundiais de produção de celulose. O estado, que já abriga gigantes como Suzano, Bracell e Eldorado Brasil, agora soma a quarta grande empresa do setor, em um movimento que o governo estadual tem chamado de “Vale da Celulose”.
A Arauco está construindo em Inocência (MS) o Projeto Sucuriú, que será a maior fábrica de celulose do mundo erguida em uma única fase, com investimento estimado em US$ 4,6 bilhões. A licença de instalação foi entregue em abril deste ano.
“A obtenção da licença é um marco fundamental, pois nos permite avançar para as próximas etapas do projeto”, afirmou o CEO da Arauco no Brasil, Carlos Altimiras. “Esse avanço é resultado da parceria entre a empresa e os governos estadual e municipal, que acreditam no legado que a Arauco deixará para Inocência e para Mato Grosso do Sul”, completou.
Empregos e transformação regional
Com início das obras previsto para julho, o projeto deve empregar 14 mil trabalhadores no pico da construção e gerar 500 empregos diretos na fase de operação. A estimativa é que sejam criadas 6 mil vagas permanentes nas áreas industrial, logística e florestal — número que supera o total de habitantes de Inocência, que tem cerca de 8 mil moradores.
O prefeito Antônio Ângelo classificou o empreendimento como um divisor de águas para o município:
“A chegada da Arauco simboliza um novo ciclo de desenvolvimento econômico e social. Seremos referência em geração de emprego, renda e qualidade de vida”, afirmou.
Atualmente, mais de mil trabalhadores já atuam na região, preparando a infraestrutura para o início das obras. Estão sendo construídas novas vias de acesso, moradias e estruturas de apoio para receber os profissionais.
Infraestrutura e energia
Entre as obras complementares estão o acesso rodoviário pela MS-377, a pavimentação de 38 km da MS-316 (entre Inocência e Paraíso das Águas) e a implantação de um aeroporto regional.
O Projeto Sucuriú ocupará uma área de 3.500 hectares, a 50 quilômetros do centro de Inocência, às margens do Rio Sucuriú. A planta será totalmente digital, com tecnologias de Indústria 4.0, integração automatizada de processos e controle inteligente de qualidade.
A unidade também operará em ciclo fechado de energia, com capacidade de geração superior a 400 megawatts (MW) — sendo 200 MW para uso interno e o restante injetado no Sistema Interligado Nacional, volume suficiente para abastecer uma cidade de mais de 800 mil habitantes.
Produção e exportação
A previsão é que a fábrica entre em operação no final de 2027, com capacidade de 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, das quais até 98% serão exportadas para China, Europa e América do Norte.
Com o novo empreendimento, o Mato Grosso do Sul reforça sua posição como referência global na produção de celulose, especialmente na região leste do estado, que já concentra operações da Suzano e da Eldorado Brasil.
A Arauco, que atua no Brasil desde 2002, possui unidades no Paraná e Rio Grande do Sul, além de operações no Chile, Argentina e Uruguai. Com o Projeto Sucuriú, a capacidade global da empresa passará de 5,2 milhões para 8,7 milhões de toneladas anuais de celulose a partir de 2028.
O governador Eduardo Riedel destacou o impacto do investimento:
“Mesmo antes do início das obras, já há mais de mil trabalhadores na região. Com o cronograma avançando, teremos grandes oportunidades nos próximos quatro anos”, afirmou.


