Preso em flagrante com uma arma de fogo durante a Operação Águas Turvas, deflagrada em Bonito (MS), Luís Fernando Xavier Duarte é apontado pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) como intermediário no recebimento de propinas destinadas ao ex-secretário municipal de Finanças, Edilberto Gruz Gonçalves, preso desde o dia 8 de outubro.
De acordo com as investigações, Luís Fernando é presidente da Escola Especializada Caminho da Esperança, instituição filiada à Pestalozzi que oferece serviços gratuitos de educação, saúde e assistência social a pessoas com deficiência.
Apesar do vínculo com a entidade beneficente, ele também figura como controlador da empresa Lara Xavier Duarte Construtora (CNPJ 22.478.327/0001-06), que firmou contrato de R$ 342 mil com a Prefeitura de Bonito para executar serviços de jardinagem e paisagismo.
O relatório do Gecoc aponta Luís Fernando como “testa de ferro” de Edilberto, já exonerado do cargo, no esquema de fraudes em licitações e pagamento de propinas a servidores públicos.
As investigações identificaram que as licitações fraudadas eram direcionadas ao empreiteiro Genilton da Silva Moreira, da Base Construtora e Logística (CNPJ 35.450.684/0001-08), que mantinha contratos que somavam R$ 5,26 milhões em obras no município.
Interceptações telefônicas mostram o ex-secretário e Genilton negociando o pagamento de R$ 40 mil em propina, valor que deveria ser transferido à conta de Luís Fernando. As transações foram confirmadas: uma de R$ 25 mil no dia 16 de fevereiro de 2023 e outra de R$ 15 mil no dia seguinte. O montante corresponde a 10% de um contrato de R$ 417 mil pago pela prefeitura à construtora.
O Jornal Midiamax solicitou posicionamento à Pestalozzi e ao próprio Luís Fernando Xavier Duarte, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.
Casal de empreiteiros investigado em Bonito também é alvo de operação em Terenos e movimentou R$ 8,7 milhões
Genilton da Silva Moreira e Nádia Mendonça Lopes, principais alvos da Operação Águas Turvas, também são investigados na Operação Spotless, que apura fraudes em licitações e contratos públicos no município de Terenos.
Segundo levantamento da reportagem, o casal faturou R$ 8.750.382,95 em contratos com quatro prefeituras de Mato Grosso do Sul, utilizando duas empresas:
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Base Construtora e Logística Ltda. (CNPJ 35.450.684/0001-08) – registrada em nome de Genilton;
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Lopes & Lopes Construtora e Empreiteira Ltda. (CNPJ 28.870.142/0001-29) – registrada em nome de Nádia.
Ambas foram abertas entre 2017 e 2019 e estão registradas como microempresas, categoria limitada a um faturamento anual de até R$ 360 mil. Mesmo assim, o casal era considerado “imbatível” nas licitações, vencendo concorrências milionárias em várias cidades do Estado.
Os contratos mais expressivos foram firmados em Bonito, onde a Base Construtora manteve três contratos somando R$ 5.263.823,00. Já a empresa de Nádia celebrou dois contratos que totalizam R$ 704.797,84.
Em Terenos, sede de uma das empresas, o casal obteve contratos que somam R$ 2.386.877,63. Há ainda um contrato da Base Construtora com a Prefeitura de Jardim, no valor de R$ 231.666,76, e outro da Lopes & Lopes com a Prefeitura de Deodápolis, de R$ 163.217,72.
Por enquanto, apenas as relações com as prefeituras de Bonito e Terenos estão sob investigação formal do Gecoc, que apura o direcionamento de licitações, o uso de empresas de fachada e o pagamento de propinas a agentes públicos, entre eles o ex-secretário Edilberto Gruz Gonçalves.
Durante a operação, Genilton foi preso em flagrante e Nádia cumpre prisão domiciliar. O casal é apontado como peça-chave no esquema de corrupção, operando uma rede de empresas e intermediários usados para movimentar recursos ilícitos.
O Jornal Midiamax tentou contato com as defesas dos investigados e com as prefeituras mencionadas, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestações.


