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Audiência debate duplicação da BR-262, mas sem poder prático de decisão

A Câmara Municipal de Aquidauana anunciou a realização de uma audiência pública para discutir a duplicação e melhorias na sinalização da BR-262, no trecho que liga Aquidauana, Anastácio e Campo Grande. O encontro está marcado para o dia 29 de maio de 2026, às 19h, no plenário “Estevão Alves Correa”.

A proposta é de iniciativa do vereador Sargento Cruz (PP), com o objetivo de reunir parlamentares e a população para debater o tema, apresentar informações técnicas e levantar sugestões sobre possíveis melhorias na rodovia.

Apesar da importância do assunto, a audiência não possui poder de decisão sobre a execução da obra. A BR-262 é uma rodovia federal, sob responsabilidade da União, o que limita a atuação do Legislativo municipal. Na prática, o encontro deve servir como espaço de manifestação popular, sem efeito direto na viabilização da duplicação.

O cenário estadual reforça esse desafio. Mato Grosso do Sul possui apenas 0,74% de sua malha viária duplicada, o que representa cerca de 137 quilômetros de pistas duplas em um total de mais de 18 mil quilômetros de rodovias. Desses, pouco mais da metade é pavimentada. Na malha federal, apenas 1,70% dos trechos asfaltados são duplicados, enquanto nas rodovias estaduais esse índice é ainda menor, de 0,42%.

O Estado aparece entre os piores índices do país nesse quesito, ocupando a oitava pior colocação nacional em duplicação de rodovias federais, ficando atrás de estados como Goiás e Mato Grosso. Além disso, os trechos duplicados existentes são curtos, e rodovias de grande fluxo, como a BR-163, ainda operam majoritariamente em pista simples.

Diante desse contexto, especialistas avaliam que iniciativas como audiências públicas municipais têm alcance limitado quando não há articulação direta com o Governo Federal, responsável pelos investimentos e execução das obras. Assim, embora o debate possa dar visibilidade à demanda, a expectativa de avanços concretos a partir desse tipo de reunião é considerada baixa.

Ainda assim, a audiência pode servir como instrumento de pressão política e registro das necessidades da população, especialmente diante dos recorrentes problemas de segurança e infraestrutura na BR-262.

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