José Erasmo Campos da Silva, 37 anos, sobreviveu ao ataque de tiros que vitimou seu sobrinho Leandro Campos da Costa, 24, na noite do dia 24 de julho, no Bairro Nova Aquidauana. Eles foram perseguidos por uma dupla de moto, e quando José Erasmo percebeu, pediu ao sobrinho, que estava ao volante, que fosse para um local movimentado, onde eles pudessem descer e buscar ajuda. Mas o desfecho não teve um final feliz, Leandro morreu baleado e Erasmo foi socorrido com vida com um tiro no tórax.
Agora o homem se recupera, está com um dreno no pulmão e precisa estabilizar para que o projétil seja retirado, ou seja, ele continua com a bala alojada em seu corpo. Ele recebeu a reportagem do JNE no Hospital Regional de Aquidauana e contou como foram os minutos de tensão antes do atentado.
“Nós fomos até Anastácio buscar a esposa do meu sobrinho, ele estava feliz, pois tinha reatado com ela e estava eufórico em busca-la, para levar de volta pra casa, não queria esperar o outro dia. Então fui com ele e na volta, já em Aquidauana, na Rua Giovanni Toscano de Brito, percebi que estávamos sendo seguidos por uma dupla de moto, porque eles se aproximavam pra ver quem estava dirigindo, no caso o Leandro, e quem estava no passageiro. Disse para ele procurar um local movimentado onde pudéssemos descer, mas cada vez mais a moto ‘emparelhava’ no carro e isso foi nos apavorando”.
O momento do atentado
“Quando entramos no Nova Aquidauana, Leandro parou em frente ao Bar do Zé Ferreira, eu só pensei em descer e correr pra dentro, não vi nada, desci e nem olhei para trás, mas senti que um disparo de arma de fogo me atingiu, tanto que me atingiu pelas costas, desesperei e procurei me esconder, sinceramente não sabia o que estava acontecendo, aí entrei num local que parecia ser um banheiro, ali procurei me encolher, pensei que ia morrer, estava perdendo as forças e só ouvia tiros. Não sabia que o Leandro havia sido atingindo, só quando os tiros cessaram, me arrastei e vi meu sobrinho no chão. Estava perdendo a consciência quando senti a presença dos militares do Corpo de Bombeiros, um deles começou a falar comigo e fui retomando o sentido, não me lembro o que disse pra ele, estava muito mal, única coisa que me lembro é que pedia para não morrer”.
José Erasmo procurou não falar muito sobre a morte do sobrinho. Hoje ele está estável, apesar da gravidade do ferimento. Questionado sobre a possiblidade de ser um acerto de contas de um possível tráfico de drogas no qual já foi preso, ele disse que na época do ocorrido não sabia que ia buscar drogas, atendeu ao pedido de um colega para fazer uma viagem com ele. Segundo Erasmo, ficou seis meses no Estabelecimento Penal de Aquidauana, mas está para sair sua absolvição no caso.
“Sou efetivo da Prefeitura de Aquidauana desde 2003, tanto que quando eu saí do presídio voltei a minha função no Conselho Tutelar da cidade, pois eles acompanharam todo o processo e viram que eu não tive culpa. Comecei como gari, nunca tive vergonha de trabalhar, tanto que estou de férias mas estava fazendo diárias em uma fazenda. Estou com uma filha de nove meses, tenho mais quatro filhos, preciso trabalhar para dar conta”.
O JNE conversou com o delegado responsável pelas investigações, Eder Oliveira Moraes, ele se limitou a dizer que não está sendo descartada nenhuma hipótese e o caso segue com várias linhas de investigação. O delegado disse também que uma equipe de investigadores está com várias imagens de circuitos de segurança por onde as vítimas passaram. O material está sendo analisado.
José Erasmo se recupera no Hospital Regional



