A tristeza toma conta do casal Danilo Silva e Jucimara Rodrigues, moradores em Aquidauana. O filho mais novo do casal, Moisés Eduardo, de 04 anos, que antes era a alegria da família, junto com sua irmã de 8 anos, agora é uma estrelinha que brilha no céu. Por conta de uma suposta negligência médica, o menino acabou morrendo, diagnosticado com meningite bacteriana, na Santa Casa da Capital.
A saga da família começou dia 28 de agosto, quando o menino se queixou de dores no ouvido e os pais verificaram que ele também estava com febre. De imediato o pai levou o filho para atendimento no Posto de Saúde no bairro São Francisco. Moisés foi diagnosticado com otite (infecção de ouvido). O médico, um clínico geral, orientou o pai procurar o Hospital Regional de Aquidauana caso a febre não baixasse.
Conforme orientação médica, Danilo levou Moisés para o Hospital Regional da cidade, já que ele apresentava dores, vômitos e febre de 38,9 graus. Segundo o pai, mais medicamentos para a suposta otite foi passado e nada da criança apresentar melhoras.
Segundo a família, o menino, então alegre e sorridente, ficava no quarto, quietinho, gemendo de dor. “Mas confiamos nos médicos, se eles diagnosticaram com otite, nós acreditamos e estávamos tratando com os medicamentos que foram prescritos”, contou a mãe desolada.
Na noite de quinta-feira (31), depois de indas e vindas na unidade hospitalar, Jucimara ligou no Hospital e foi informada que tinha uma pediatra no local. Ela então pediu ao marido que levasse Moisés até lá. Ele então pegou o menino, que estava se revirando de dor e levou até o hospital. Segundo ele, ouviu do enfermeiro “você de novo aqui?”, comprovando as outras vezes que os pais buscaram atendimento no local.
Danilo então implorou para que o filho fosse atendido pela pediatra, mas o pedido foi negado, mesmo todos vendo a situação da criança, foi informado que a especialista estava atendendo o setor de pediatria do hospital. Um clínico geral então atendeu o menino novamente e receitou uma injeção de Benzetacil para estabilizar a vítima.
Danilo e Jucimara foram enfáticos ao dizer que em nenhum momento fizeram exames em Moisés.
Foi na madrugada de sexta-feira (01), por volta das 04 horas da manhã, que a criança deu um suspiro forte de dor, ela dormia ao lado mãe, que ao ligar a luz, viu que o menino estava espumando pela boca e sem reação nenhuma.
Os pais então correram com a criança novamente para o Hospital Regional de Aquidauana. Segundo Danilo e Jucimara, mais uma vez ouviram “vocês de novo aqui”, quando o pai implorou por atendimento, dizendo que o filho estava desfalecido dentro do carro.
Vendo a situação da criança, chamaram a pediatra que ao ver Moisés, o encaminhou às pressas para a Santa Casa da Capital. Ao chegar na Capital, uma outra pediatra aguardava o pequeno paciente e ao ver a situação da criança já sinalizou que poderia ser meningite bacteriana. Segundo Danilo, a equipe médica ficou espantada com o estado clínico do menino. Após realizado exames, veio a comprovação do diagnóstico.
Da entrada na Santa Casa até o falecimento de Moisés foram horas de angústia e sofrimento. Os médicos se revezavam junto com enfermeiros, no cuidado com o garoto, mas uma parada cardíaca colocou fim as esperanças dos pais em ver o filho voltar pra casa curado.
“Um pouco antes foi constatada a morte encefálica do meu filho, fizeram três testes para trazer a confirmação, mas mesmo assim eu queria ele de volta, não tenho o que reclamar do atendimento da equipe da Santa Casa, eles fizeram de tudo para salvar meu filho, nos trataram com dignidade, ao contrário do hospital daqui”, contou Danilo.
Danilo e Jucimara comentaram que o atendimento em Campo Grande foi totalmente diferente da maneira como foram atendidos em Aquidauana. “Todos no hospital ficaram sensibilizados com a história da família, que tratava uma criança com remédios para otite e nenhum exame foi feito, mesmo vários profissionais verem o estado de Moisés, a gente só ouvia ‘vocês de novo aqui?’”, comentaram
“Eu não condeno o médico do posto de saúde. Ele é clínico geral e a meu ver fez o procedimento correto, mesmo dizendo que meu filho poderia estar com otite, disse que qualquer alteração era pra eu encaminha-lo de imediato para o Hospital e assim eu fiz”, contou o pai emocionado.
Danilo disse que procurou a Delegacia de Polícia de Aquidauana para registrar boletim de ocorrência, os policiais então o orientaram a solicitar o prontuário médico dos atendimentos no Hospital do município. “Já fiz a solicitação, disseram para eu buscar na sexta-feira, caso não disponibilizem, vou buscar respaldo jurídico”, disse.
A família deu adeus ao pequeno Moisés no último domingo (03) e dele vai ficar a lembrança de uma criança iluminada e amada e o sorriso com as simpáticas covinhas no rostinho.
O JNE entrou em contato com a direção do Hospital Regional de Aquidauana, solicitando posição sobre o caso, mas até o fechamento da matéria, não obtivemos retorno.
Certidão de óbito que confirma o diagnóstico de Meningite Bacteriana



