Pela segunda vez, a Câmara dos Deputados votou, nesta quarta-feira (25), para barrar uma denúncia contra o presidente Michel Temer. Por 251 votos a 233, os parlamentares votaram pelo arquivamento da peça. A denúncia de organização criminosa e obstrução da Justiça, apresentada pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, precisava receber 342 votos para ser levada ao Supremo Tribunal Federal. O número a ser obtido pelo governo, de 148 votos entre “sim”, abstenções e ausências, foi atingido por volta das 20h40.
A sessão para análise da denúncia começou com 19 minutos de atraso. Na hora marcada para o início dos trabalhos, às 9h, somente 17 deputados registravam presença na Casa, exatamente um terço dos 51 parlamentares necessários para a sessão ser aberta. Após o início da Ordem do Dia, o deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), relator do parecer que pediu o arquivamento da denúncia, iniciou, pouco depois de 9h50, seu pronunciamento. Após essa etapa, foi a vez das defesas de Temer, Padilha e Moreira Franco também se manifestarem.
A fase de votação só começou por volta das 17 horas. Ela estava condicionada à presença de 342 deputados em plenário, que foi dificultada por uma estratégia de parlamentares da oposição de não registrar presença na Casa, a fim de tentar adiar a análise da denúncia.
Temer e os ministros Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência da República são acusados pela Procuradoria-Geral da República de participação em organização criminosa. O presidente responde ainda por obstrução da Justiça.
Esta é a segunda vez que Temer é denunciado. Também é a segunda vez que um presidente é denunciado por crimes cometidos no exercício da função. Em agosto, a Câmara já havia decidido barrar a primeira denúncia contra o peemedebista — por corrupção passiva — por um placar de 263 a 227, com 19 ausências e duas abstenções.
Deputados de MS
Os oito deputados federais de Mato Grosso do Sul se dividiram na votação da aceitação ou não da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) na Câmara Federal. A votação é nominal e terminou em 251 a favor de Temer e 233 votos contra. Entre os parlamentares do Estado, o placar foi de 4 a 4.
O peemedebista e fiel defensor de Temer, Carlos Marun, que abriu a votação, optando pelo sim (a favor do relatório que rejeita a denúncia contra o presidente).
Em seguida, o pedetista Dagoberto Nogueira foi quem votou, escolhendo o não (contra o relatório e, consequentemente, pela aceitação da denúncia). Na sequência dois tucanos, Elizeu Dionízio e Geraldo Resende, votaram a favor de Temer.
O quinto deputado sul-mato-grossense a votar foi Luiz Henrique Mandetta (DEM), que foi contra o relatório e pediu a aceitação da denúncia. Depois, foi a vez de outra aliada fiel de Temer, Tereza Cristina, que se desfiliou na terça-feira (24) do PSB justamente por isso.
Fechando a votação dos parlamentares de Mato Grosso do Sul, foi a vez dos petistas, oposição à Temer. Vander Loubet votou contra o presidente, assim como José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT.
Indisposição
Horas antes do início da votação, Temer passou mal e foi levado às pressas para o Hospital do Exército, em Brasília. O Correio apurou que, após o almoço, pressionado por um dia intenso de negociações para conseguir votos, o presidente se sentiu indisposto. Com fortes dores, ele desceu andando para o posto médico do Planalto e, após um breve exame, foi levado ao hospital. Ele precisou fazer um procedimento de desobstrução da uretra e voltará ao Palácio do Planalto assim que o procedimento for finalizado.
Foto: Wilton Júnior/Estadão