Produtor rural e cantor mantém estratégia com duas propriedades para adequar cada etapa da criação às condições do bioma
Além da carreira na música e da conhecida ligação com o Pantanal, Almir Sater também mantém uma trajetória como produtor rural. Em suas propriedades, o cantor adotou estratégias de manejo e seleção genética para enfrentar algumas das principais dificuldades da pecuária na região, como o calor intenso, as cheias e as condições naturais do bioma.
Desde 2003, Sater é proprietário da Fazenda Campo Novo, em Aquidauana, com aproximadamente 25 mil hectares. A propriedade está localizada em uma área sujeita ao ciclo de cheias e secas característico do Pantanal.
Para adaptar a produção às condições da região, o sistema utilizado pelo produtor divide as etapas de criação entre duas propriedades. A fase de cria é realizada na área pantaneira. Depois, os animais seguem para uma segunda fazenda, localizada em terreno firme e região de serra, onde passam pelas etapas de recria e engorda.
A estratégia permite reduzir os impactos das inundações sobre o manejo e aproveitar as características de cada ambiente ao longo do ciclo produtivo.
Senepol como alternativa para o calor
A seleção genética é outro componente do sistema adotado por Sater. O produtor investiu na raça Senepol, conhecida pela rusticidade e pela capacidade de adaptação a regiões de clima quente.
Originário das Ilhas Virgens Americanas, o Senepol descende de animais africanos da região do Senegal e de bovinos da raça britânica Red Poll. Entre as características associadas à raça estão a tolerância ao calor, adaptação a ambientes tropicais, precocidade, habilidade materna e bom desempenho na produção de carne.
Essas características são especialmente importantes em sistemas de criação a pasto, como os encontrados no Pantanal, onde os animais são submetidos a altas temperaturas, umidade e pressão de parasitas.
Investimento em genética começou com cruzamentos
O trabalho de Sater com o Senepol começou antes da formação de um plantel de animais puros. Em 2008, o cantor adquiriu um touro campeão da raça no Centro de Performance CRV Lagoa.
Inicialmente, a proposta era utilizar o animal em cruzamentos com Nelore e outras raças, buscando melhorar características relacionadas à produção de carne e à adaptação dos animais.
A experiência avançou para a criação de animais puros e, em 2009, Sater participou do Projeto PAS — Parceiros e Almir Sater —, iniciativa voltada à produção de embriões e ao intercâmbio genético entre criatórios.
O projeto envolvia criadores e disponibilizava touros para acasalamentos direcionados, além de fêmeas doadoras de alto valor genético. Os embriões eram destinados a propriedades de Mato Grosso do Sul, com o objetivo de levar genética selecionada para condições de produção locais.
Em uma das etapas do projeto, também foi anunciada a intenção de inseminar 1,2 mil vacas meio-sangue Red Angus com Senepol. A proposta era avaliar o desempenho dos animais em condições de campo, sem depender de sistemas intensivos de alimentação.
Manejo adaptado ao ciclo das águas
Na Fazenda Campo Novo, a divisão das etapas produtivas entre as duas propriedades permite que o manejo acompanhe o comportamento natural do Pantanal.
A cria permanece na área pantaneira, enquanto os animais são posteriormente conduzidos para regiões de terreno firme, onde passam pela recria e engorda. Dessa forma, a produção busca se adaptar ao ciclo de cheias e secas, em vez de tentar manter todas as fases da criação em uma área sujeita à inundação.
A experiência de Sater mostra como a pecuária no Pantanal exige estratégias específicas de manejo, genética e utilização do território. A combinação entre seleção de animais adaptados ao calor e deslocamento do rebanho entre áreas com diferentes características é uma das alternativas utilizadas para manter a produção diante das condições naturais do bioma.
Ligação com o Pantanal
A atuação de Almir Sater como produtor rural também se soma à sua imagem pública como um dos artistas mais associados à cultura pantaneira.
Em maio de 2025, o cantor recebeu o título de Embaixador do Pantanal durante um fórum realizado em Bonito, em Mato Grosso do Sul, em uma iniciativa relacionada à agenda da COP30.
A atividade como produtor rural acompanha uma trajetória de décadas de ligação com o bioma e reforça a relação do artista com temas ligados à cultura, à pecuária e à preservação do Pantanal.


